O HOMEM QUE ABRIU AS PORTAS E AGORA QUER SER GOVERNADOR…

Como um decreto assinado por Eduardo Paes antecedeu a expansão do Banco Master na folha dos servidores do Rio e continua levantando questionamentos.

Por Ricardo Cantarelle / TVC

Enquanto Eduardo Paes percorre o estado do Rio de Janeiro construindo sua candidatura ao Governo do Estado, um decreto assinado por ele em janeiro de 2023 continua cercado de questionamentos sobre a expansão de produtos financeiros destinados aos servidores municipais.

A TVC apurou, com base em documentos públicos e na investigação do jornalista Ruben Berta, do UOL, que o Decreto Municipal nº 51.933, assinado em 16 de janeiro de 2023, reservou 10% da margem consignável dos servidores da Prefeitura do Rio para operações de cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício.

As modalidades contempladas pela norma coincidem com produtos que posteriormente se tornaram importantes para a expansão do Banco Master junto ao funcionalismo público.

Os documentos mostram uma sequência que chama atenção. Menos de dez dias após a entrada em vigor do decreto, em 25 de janeiro de 2023, o Banco Master já figurava entre as instituições autorizadas a operar os produtos financeiros contemplados pela nova regra.

O avanço não parou ali.

Em outubro de 2023, a margem consignável dos servidores foi ampliada. Posteriormente, também aumentou a parcela destinada aos cartões consignados, ampliando ainda mais o espaço disponível para esse tipo de operação dentro da folha de pagamento municipal.

O COLAPSO QUE VEIO DEPOIS

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

A crise gerou repercussão nacional e levou sindicatos, parlamentares e servidores a questionarem os impactos das operações de cartão consignado e cartão benefício.

Também cresceram as ações judiciais relacionadas a contratos firmados com a instituição, ampliando o debate sobre transparência, informação ao consumidor e responsabilidade financeira.

A Prefeitura do Rio informou que as operações ligadas ao Banco Master representavam uma parcela limitada do total dos consignados municipais. Ainda assim, os dados divulgados pela própria administração apontavam participação expressiva da instituição no segmento específico de cartões consignados.

O HISTÓRICO POLÍTICO

O episódio do Banco Master não é o único tema controverso associado à trajetória política de Eduardo Paes.

Durante a Operação Lava Jato, executivos da Odebrecht atribuíram ao então prefeito o codinome “Nervosinho” em registros internos da empreiteira. Em 2020, o Ministério Público Eleitoral apresentou denúncia relacionada a supostos repasses ilícitos para a campanha municipal de 2012.

O processo não resultou em condenação. Posteriormente, decisões judiciais que invalidaram provas oriundas dos sistemas utilizados pela Odebrecht levaram à absolvição de Paes e ao arquivamento dos procedimentos relacionados às acusações.

A PERGUNTA QUE PERMANECE

O que torna o Decreto 51.933 relevante para o debate público não é a existência de acusação criminal, mas a sequência dos fatos.

Primeiro veio a alteração das regras da margem consignável.

Dias depois, instituições financeiras passaram a operar os novos produtos autorizados pela norma.

Anos mais tarde, essas modalidades estariam no centro de questionamentos envolvendo endividamento de servidores, ações judiciais e a crise de uma das instituições que mais cresceram nesse mercado.

Os fatos documentados permitem um questionamento legítimo: por que a Prefeitura decidiu reservar espaço específico para modalidades financeiras que mais tarde se tornariam centrais na expansão do Banco Master junto aos servidores municipais?

Essa pergunta continua sem uma resposta clara para parte dos servidores, sindicatos e representantes políticos que acompanham o caso.

A TVC continuará acompanhando os desdobramentos.

VÍDEO

Assista ao vídeo ao final desta publicação para acompanhar a cronologia completa do Decreto Municipal nº 51.933, a entrada do Banco Master na folha de pagamento dos servidores municipais e os desdobramentos posteriores do caso…

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🚨 O HOMEM QUE ABRIU AS PORTAS E AGORA QUER SER GOVERNADOR

Um decreto assinado por Eduardo Paes em janeiro de 2023 reservou parte da margem consignável dos servidores municipais para operações de cartão consignado e cartão benefício.

Menos de dez dias depois, o Banco Master já estava entre as instituições autorizadas a operar nas modalidades contempladas pela nova regra.

A reportagem da TVC apresenta documentos oficiais, a cronologia dos fatos, os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master e o debate sobre os impactos dessas operações para milhares de servidores públicos.

Também relembra as investigações da Operação Lava Jato envolvendo o atual pré-candidato ao Governo do Estado, registrando os desdobramentos judiciais que resultaram em absolvições e arquivamentos.

A pergunta que permanece é simples:

Por que a Prefeitura decidiu criar uma reserva específica para modalidades financeiras que posteriormente se tornaram centrais na expansão do Banco Master junto aos servidores municipais?

📺 Leia a reportagem completa e assista ao vídeo.

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