Em um gesto que mistura simbolismo e certo desespero, Nicolás Maduro transformou pescadores venezuelanos em sua primeira linha de defesa contra qualquer intervenção estrangeira, especialmente dos Estados Unidos.
A mobilização, realizada no estado de Sucre, viu pequenas embarcações se juntar à Milícia Bolivariana no chamado Plano Nacional de Soberania e Paz Simón Bolívar, transformando o mar em palco político e, para muitos, em cenário de ridículo internacional.
Segundo o governo de Caracas, a ação visa rebater supostas “agressões psicológicas” dos EUA no Caribe e demonstrar unidade entre o povo e as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB).
Imagens divulgadas mostram dezenas de barcos de pesca com bandeiras tricolores, navegando lado a lado com militares, numa encenação que, para analistas militares, tenta passar uma imagem de força que não condiz com a realidade.
“Maduro quer mostrar que está firme junto ao povo, mas grande parte da população deseja ver o país livre do ditador”, afirma um especialista em defesa latino-americana.
A ironia é que a primeira linha de defesa do ditador contra a poderosa força naval americana consiste basicamente em barcos de madeira e pescadores civis, tornando o gesto mais simbólico do que estratégico.
Enquanto isso, o governo chavista destaca a iniciativa como prova de resistência popular, mas analistas questionam: onde foi que Maduro escondeu aquela coragem desafiante que o faria, supostamente, mandar Trump ir buscá-lo pessoalmente na sede do governo?
A cena do mar venezuelano, portanto, virou uma mistura de teatro, propaganda política e motivo de chacota internacional.
Além do simbolismo, o evento coincidiu com um alistamento militar nacional, reforçando o discurso oficial de que “todo o povo” estaria pronto para defender a soberania.
Entre sanções econômicas, acusações internacionais e ameaças externas, a Venezuela parece mais um cenário de encenação do que de preparação real para conflitos, tornando o mar uma trincheira improvisada, porém questionável em eficácia.