O xadrez de Maricá: Quaquá fala em “vagabundagem”, Aldair responde com “facada nas costas” e Fabiano Horta conta votos em silêncio

Por Ricardo Cantarelle

Um prefeito que anuncia uma reforma administrativa, um presidente da Câmara que fala em “centenas de famílias” exoneradas e um ex-prefeito que conquistou uma votação expressiva.

A crise política em Maricá ganha novos capítulos, com acusações, rompimentos e articulações que podem influenciar o futuro do município.

O vídeo

Horas depois de Aldair de Linda anunciar que deixava a base do governo, o prefeito Washington Quaquá publicou um vídeo nas redes sociais para justificar a reforma administrativa.

Quaquá declarou:

“Eu estou trocando a maneira de fazer política. Vereadores que achavam que eram donos, literalmente, das máquinas, que estavam querendo enriquecer às custas da máquina pública. E a gente sabe muito bem, e nós já viemos enfrentando isso faz tempo. E agora resolvemos fazer uma reforma administrativa mais ampla para acabar com a vagabundagem em Maricá.”

O prefeito também falou em “boicote organizado”. A declaração ocorre em meio ao rompimento político com Aldair de Linda e à reorganização dos grupos que disputam espaço no governo municipal.

A fala sobre enriquecimento às custas da máquina pública é grave. No trecho reproduzido, Quaquá não apresenta dados que comprovem a acusação. A declaração deve ser compreendida dentro do contexto político em que foi feita, sem transformar a acusação em fato comprovado.

A resposta

Na tribuna da Câmara Municipal, Aldair de Linda confirmou o rompimento com o governo e declarou:

“Eu também era da base do governo, não sou mais hoje. Hoje eu não tenho lado esquerdo, nem direito. Sou o povo de Maricá.”

O vereador afirmou ter levado uma “facada nas costas” e rebateu as acusações de traição:

“Ele que sim é um traidor, eu não.”

Aldair também criticou as exonerações promovidas pela administração municipal:

“Hoje estão exonerando centenas de famílias. Centenas de famílias que elegeram o prefeito.”

As exonerações foram publicadas no Jornal Oficial de Maricá. A discussão política envolve os desligamentos e os critérios adotados pela Prefeitura para a reforma administrativa.

Obras, licitações e castelos

Aldair também questionou a origem das obras executadas no município e desafiou o governo a apresentar exemplos de licitações realizadas durante a atual gestão.

“Traga aqui uma coisa que foi licitada no governo Washington Quaquá. Tudo que está sendo feito foi licitado no governo Fabiano Horta.”

A declaração representa a versão apresentada pelo vereador. Em contraponto, o vereador Felipe Paiva, em defesa do prefeito, afirma que mais de 40 obras foram licitadas, a maioria de drenagem e pavimentação.

A discussão coloca em evidência a necessidade de esclarecer a origem dos contratos e o histórico das licitações municipais.

Em outra crítica, Aldair declarou:

“O castelo medieval nem foi construído, mas já está caindo.”

A frase acrescentou um tom provocativo ao confronto político.

As urnas

Os resultados eleitorais também passaram a integrar a disputa entre os grupos políticos de Maricá.

Segundo os números apresentados no levantamento original:

Fabiano Horta: 50.396 votos para deputado federal.
Diego Quaquá: 16.304 votos para deputado federal.
Allyson Elias: 16.256 votos para deputado estadual.
Zeidan: 15.183 votos para deputado estadual.

A diferença entre Fabiano Horta e Diego Quaquá foi de 34.092 votos em Maricá, considerando os números apresentados.

Aldair interpretou o resultado como uma vitória política sobre o prefeito e seus aliados:

“Nós conseguimos vencer o prefeito e dezoito vereadores. Eu sozinho. Eu sozinho não, eu e o povo de Maricá.”

A declaração expressa a leitura política do vereador sobre o desempenho eleitoral de seu grupo.

Quaquá, por sua vez, publicou um vídeo no qual afirmou ter se livrado das “cangalhas” e declarou que é “melhor só do que mal acompanhado”, sem citar nomes no trecho mencionado.

Fabiano Horta também se manifestou. Em vídeo, afirmou que “a nossa campanha venceu”, mas não entrou diretamente na troca de acusações entre o prefeito e Aldair.

O relógio da Câmara

Aldair de Linda preside a Câmara Municipal desde 2017, e seu mandato à frente da Casa termina em 31 de dezembro. A eleição da nova Mesa Diretora está prevista para 2 de dezembro.

Em meio às articulações, Quaquá publicou uma fotografia ao lado de vereadores acompanhada de uma palavra: “Renovação.”

A publicação ocorre em um momento de movimentação política em torno da futura composição da Mesa Diretora.

Aldair, por sua vez, demonstrou não tratar uma eventual perda da presidência como o fim de sua trajetória política.

“Eu ganhei eleição para ser vereador, eu não ganhei eleição para ser presidente. Nada na vida é eterno.”

A eleição da Mesa será mais um teste para medir a capacidade de articulação dos grupos que disputam espaço no cenário político municipal.

E 2028 já está no horizonte

Por trás da crise atual existe uma disputa que pode se estender até a próxima eleição municipal.

Quaquá já declarou que “a eleição de 28 é a minha eleição”. Aldair, por sua vez, respondeu que “28 está logo ali”.

O prefeito conta com a estrutura do Executivo e com aliados na Câmara. Aldair procura demonstrar que possui força política própria, enquanto Fabiano Horta aparece como outro personagem relevante nesse cenário, especialmente depois de sua votação expressiva.

Enquanto Quaquá e Aldair trocam declarações públicas, Fabiano mantém uma postura mais discreta diante de parte do confronto.

No xadrez político de Maricá, cada movimento pode ter consequências. A reforma administrativa, as exonerações, a disputa pela presidência da Câmara e as articulações para 2028 compõem um cenário de reposicionamento político.

Quem sai mais forte dessa disputa?

A crise entre Washington Quaquá e Aldair de Linda deixou de ser apenas um desentendimento entre antigos aliados. A disputa envolve cargos, articulação parlamentar, resultados eleitorais e o futuro político de Maricá.

Fabiano Horta também está nesse tabuleiro, com uma votação que o mantém no centro das discussões sobre os rumos do município.

E você, maricaense: quem sai mais forte dessa disputa? O prefeito que fala em reforma administrativa, o presidente da Câmara que denuncia traição ou o ex-prefeito que conquistou uma votação expressiva?

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