Oitava fase da operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Investigação apura movimentação de R$ 7,6 bilhões e determina suspensão de 112 empresas.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Entre os presos estão o deputado estadual reeleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A operação é realizada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil e pelo Brasil 247, a Polícia Federal cumpre seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Até o momento, as reportagens consultadas identificam nominalmente Canella e Amim entre os presos, sem apresentar a identificação completa dos seis alvos das ordens de prisão.
R$ 7,6 BILHÕES SOB INVESTIGAÇÃO
O foco da investigação é uma estrutura empresarial que, segundo os investigadores, teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões em seis anos. A suspeita é de que uma rede de postos de combustíveis tenha sido utilizada para ocultar a origem e dar aparência legal a recursos financeiros.
O levantamento teve como um dos pontos de partida informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações consideradas suspeitas.
A Polícia Federal busca esclarecer a origem dos recursos, identificar os beneficiários das transações e apurar possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e organizações criminosas.
É importante ressaltar que o montante financeiro sob análise corresponde ao volume movimentado pelo grupo investigado e não significa que a totalidade dos valores tenha origem criminosa.
EMPRESAS ATINGIDAS POR DECISÃO JUDICIAL
Além das prisões e das buscas, a decisão judicial determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada.
De acordo com a CNN Brasil, 96 desses estabelecimentos são postos de combustíveis.
As medidas buscam atingir a estrutura econômica suspeita de sustentar o esquema e preservar bens e recursos que possam estar relacionados às irregularidades investigadas.
SETE MUNICÍPIOS NA ROTA DA OPERAÇÃO
A ação da Polícia Federal abrange sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A dimensão territorial da operação e o número de empresas atingidas evidenciam o alcance da investigação, que procura identificar possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro e relações entre estruturas empresariais e agentes públicos.
A apuração também está relacionada às determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que prevê o aprofundamento de investigações sobre possíveis vínculos entre integrantes do poder público e organizações criminosas no Rio de Janeiro.
CANELLA JÁ HAVIA SIDO PRESO EM JULHO
Esta não é a primeira vez que Márcio Canella é alvo de uma ação da Polícia Federal no âmbito da Operação Unha e Carne.
Em julho de 2026, durante a sexta fase da investigação, o então ex-prefeito foi preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil em seu veículo. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua soltura, mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Naquela etapa, Canella afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. A defesa contestou a prisão e informou ter apresentado documentação sobre o armamento.
Agora, a nova fase da operação volta a colocar o político no centro de uma investigação de grande repercussão no cenário fluminense.
INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO
Além de lavagem de dinheiro, a Polícia Federal apura suspeitas de organização criminosa e possíveis irregularidades em contratações públicas. Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, outros enquadramentos poderão surgir conforme o avanço das investigações.
As prisões e as medidas cautelares não representam condenação definitiva. Os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência, e a responsabilidade individual deverá ser estabelecida pelas autoridades competentes.
A TV Copacabana acompanha os desdobramentos da Operação Unha e Carne, que alcança figuras políticas, agentes públicos e uma extensa rede empresarial no estado do Rio de Janeiro