Um levantamento detalhado aponta que treze políticos eleitos nas eleições de 2026 possuem seus nomes citados em documentos, registros de viagens, articulações políticas ou transações financeiras relacionadas ao Banco Master ou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As situações variam desde citações diretas em relatórios da Polícia Federal (PF) até participações em eventos e encontros com agentes públicos ligados à instituição.
As conexões no núcleo do poder
Entre os nomes de maior destaque está o senador Jaques Wagner (PT-BA). A PF identificou 74 comunicações entre o petista e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, totalizando mais de cinco horas de conversas. As investigações focam na chamada “emenda Master”, que visava elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e em possíveis trocas de favores envolvendo o Credcesta, cartão de crédito consignado que opera com exclusividade para servidores baianos.
O senador eleito Rui Costa (PT-BA) e o governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT-BA) também aparecem no radar por decisões administrativas que fortaleceram a operação do Credcesta na Bahia. Enquanto Rui Costa nega qualquer irregularidade na privatização da Ebal — origem do negócio — ou favorecimento ao banco, a gestão de Jerônimo enfrenta o desgaste político do tema, que se tornou central na disputa estadual de 2026.
Intermediações e empréstimos sob suspeita
O deputado reeleito Hugo Motta (Republicanos-PB) foi citado em mensagens que sugerem a intermediação de um empréstimo de R$ 22 milhões do Banco Master para uma empresa da família de sua cunhada. O recurso teria sido utilizado para fins imobiliários. Motta nega que tenha participado da negociação e defende a legalidade de seus contatos com o banqueiro.
Já o deputado Antonio Rueda (União Brasil-RJ) teve seus escritórios de advocacia mencionados em repasses de R$ 6,4 milhões oriundos do grupo Master. Rueda sustenta que os valores são referentes a serviços jurídicos prestados e nega as acusações contidas em uma proposta de delação de Vorcaro que não foi homologada pela Justiça.
Articulações no Congresso e no setor público
A influência de Vorcaro em Brasília também teria alcançado o Legislativo. Deputados como Claudio Cajado (PP-BA) e Dr. Luizinho (PP-RJ) aparecem em contextos de pressão política sobre o Banco Central, especialmente durante a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). A movimentação para alterar regras sobre a diretoria do BC gerou fortes críticas de especialistas sobre a interferência política na autoridade monetária.
Outros parlamentares, como Isnaldo Bulhóes (MDB-AL), Rodrigo Gambale (Podemos-SP) e Marcos Pereira (Republicanos-SP), foram associados ao banqueiro através de registros de viagens em aeronaves particulares e eventos exclusivos, como jantares em Portugal e degustações em Londres. Todos negam irregularidades ou desconhecimento sobre a presença do banqueiro.
Investigações em curso e o caso de Alagoas
O governador reeleito de Alagoas, JHC (PSDB-AL), viu seu nome ser envolvido devido a investimentos de R$ 97 milhões realizados pelo instituto de previdência municipal (Iprev) no Banco Master. O caso, que está sob análise do Supremo Tribunal Federal, investiga se houve falhas técnicas ou direcionamento nas aplicações. Paralelamente, o senador eleito Arthur Lira (PP-AL) foi citado em manuscritos apreendidos pela PF na casa de Ciro Nogueira, embora não haja comprovação de que as anotações representem pagamentos ou vantagens ilícitas. Lira nega qualquer relação com as atividades do banco.