Padre é condenado a 26 anos por estupro de coroinha em Penápolis (SP)

A Justiça de São Paulo condenou o padre Antônio de Souza Carvalho a 26 anos e oito meses de prisão por estupro de vulnerável contra um coroinha.

Segundo a sentença, os abusos começaram em 2009, quando a vítima tinha apenas 13 anos, e se estenderam até 2014, período em que o jovem atuava como auxiliar nas celebrações religiosas da Paróquia Sagrada Família, em Penápolis (SP).

O caso só foi denunciado anos depois, em 2024, após o coroinha ouvir declarações do papa Francisco sobre abusos na Igreja Católica.

Em um discurso na Bélgica, o pontífice afirmou que a instituição precisava pedir perdão e se responsabilizar pelos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Foi a partir dessa fala que a vítima decidiu procurar a Diocese de Lins para relatar os crimes, posteriormente levados à Justiça.

De acordo com os autos do processo, os primeiros abusos ocorreram dentro do carro do sacerdote, durante os trajetos até as missas. O padre passava as mãos nas pernas e partes íntimas do adolescente, além de beijar seu pescoço.

Em outra situação narrada, a vítima viajou com o padre para Limeira (SP), ocasião em que ambos dormiram no mesmo quarto e os abusos se repetiram.

Durante o processo, a vítima relatou que não denunciava as agressões por medo, já que via o sacerdote como “representante de Jesus Cristo” e, em suas palavras, “como um deus”.

Essa submissão resultou em traumas e comportamentos agressivos ao longo da adolescência, só sendo rompida após alcançar a maioridade.

Defesa e posicionamento da Igreja

O padre negou os crimes, alegando que suas atitudes eram apenas “demonstrações de carinho”. A defesa dele ainda não se manifestou após a condenação.

A Diocese de Lins, responsável pela paróquia, confirmou a condenação em primeira instância e declarou que comunicou o caso ao Dicastério para a Doutrina da Fé, em Roma, que instaurou um Processo Penal Administrativo. Em nota, o bispo Dom João Gilberto de Moura afirmou sentir “profunda dor diante do acontecimento” e reforçou o compromisso da Igreja com a verdade, a justiça e o cuidado com os envolvidos.

Atualmente, o padre está afastado das funções sacerdotais e mora em Lins (SP). Ele poderá recorrer da decisão em liberdade.

ALERTA ÀS FAMÍLIAS

Este caso reforça um alerta urgente: nem todo aquele que se apresenta como servo de Deus realmente cumpre essa missão. Muitos, já corrompidos em espírito, acabam servindo ao mal e destruindo vidas inocentes. Cabe às famílias redobrarem a vigilância, acompanharem de perto a vida de seus filhos e nunca permitirem que o respeito à religião seja usado como barreira contra denúncias de abusos.