Mercado Financeiro Reage a Dados de Emprego nos EUA
O mercado de juros futuros no Brasil reagiu fortemente aos dados do payroll, relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostraram uma criação de vagas muito acima das expectativas. Essa notícia elevou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode considerar novas altas de juros na economia americana no segundo semestre de 2026. Consequentemente, os vértices intermediários e longos dos juros futuros brasileiros atingiram seus maiores níveis desde março e abril de 2025, respectivamente, período em que a taxa Selic ainda estava em trajetória de alta.
Aumento da Probabilidade de Manutenção da Selic
A aposta majoritária do mercado agora indica que a taxa Selic permanecerá em 14,50% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em junho. Atualmente, 68% dos apostadores acreditam na manutenção da taxa, um reflexo direto da combinação de fatores internos e externos que apontam para juros mais elevados por um período prolongado. Essa conjuntura é agravada pela deterioração das expectativas de inflação, pela desvalorização do real e pela incerteza eleitoral no Brasil.
Payroll Americano como Gatilho para Juros Brasileiros
O relatório de emprego dos EUA, que indicou a criação de 172 mil vagas em maio, superando as projeções, foi considerado um gatilho adicional para a pressão sobre os juros futuros brasileiros. Economistas apontam que a resiliência do mercado de trabalho americano traz o foco do Fed de volta para a inflação, aumentando a probabilidade de uma postura mais restritiva. Nos EUA, a chance de elevação de juros em setembro passou de 23,2% para 38,4% após a divulgação do payroll.
Cenário Interno Complexo e Impacto na Renda Fixa
Além do impacto internacional, o cenário interno brasileiro já apresentava desafios. Números de inflação, a persistência da guerra e a desvalorização da moeda local já vinham justificando uma correção na renda fixa. Bancos como o Bank of America revisaram suas projeções, antecipando apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho e sinalizando uma pausa no ciclo de afrouxamento monetário. A expectativa é que a taxa básica de juros feche 2026 em 14,25% e 2027 em 13,25%, segundo o banco.