A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou à Justiça Eleitoral de Sergipe a representação do ministro Gilmar Mendes contra o senador Alessandro Vieira, abrindo caminho para uma **possível inelegibilidade** do parlamentar e acendendo um alerta no cenário político.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) tomou uma medida significativa ao encaminhar à Justiça Eleitoral de Sergipe a representação apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Esta ação possui o potencial de tornar o parlamentar **inelegível**, impactando diretamente suas aspirações políticas.
A origem do processo remonta a abril, quando Gilmar Mendes acionou a PGR. A motivação foi a tentativa de Vieira de incluí-lo no relatório final da CPI do Crime Organizado, buscando seu indiciamento por suposto abuso de poder, algo que a comissão, contudo, rejeitou.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao procurador eleitoral de Sergipe que avalie e tome as “providências que acaso se fizerem necessárias” contra o senador. Alessandro Vieira planeja buscar a reeleição este ano, e a informação foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (20).
A Reação do Senador Alessandro Vieira à Ação de Gilmar Mendes
Nas redes sociais, o senador Alessandro Vieira expressou surpresa, afirmando ter tomado conhecimento do andamento do processo por meio da imprensa. Ele ressaltou que a advocacia do Senado Federal tentou, sem sucesso, acessar os autos, enquanto cópias já estavam sendo divulgadas pela mídia.
Vieira classificou a medida como “mais uma tentativa absurda e ilegal de intimidação contra um parlamentar honesto e independente”. Segundo ele, essa ação estaria vinculada a um voto ou relatório proferido nas dependências do Senado, destacando a natureza política do embate.
O senador explicou que, embora o procurador-geral Paulo Gonet tenha afastado a acusação inicial de abuso de autoridade, a hipótese de um “ilícito eleitoral” foi deixada “aberta para apreciação da procuradoria regional”. Vieira manifestou confiança em “demonstrar o equívoco flagrante da acusação do ministro Gilmar, com tranquilidade e respeito técnico”.
Entenda a Acusação de Gilmar Mendes e o Contexto da CPI
O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, acusou o senador de utilizar um “juvenil jogo de palavras” na tentativa de “usurpar” competências que são exclusivas do próprio Senado. A Casa legislativa é a responsável por processar e julgar crimes de responsabilidade de membros do Supremo Tribunal Federal.
Em seu ofício à PGR, Gilmar Mendes destacou que a “grave arbitrariedade praticada pelo relator da CPI do Crime Organizado” foi objeto de reprimenda. Ele mencionou que a Presidência do STF veiculou uma nota à imprensa, repudiando a “ilegal iniciativa de indiciamento” proposta por Vieira.
Desdobramentos e Confrontos Anteriores Envolvendo Alessandro Vieira
É importante notar que o embate entre os dois não se limita a este episódio. Além de Gilmar Mendes, o senador Alessandro Vieira também havia solicitado o indiciamento de Paulo Gonet, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. As acusações eram por suposto crime de responsabilidade, em meio às investigações do caso envolvendo o Banco Master.
Em abril, Vieira havia solicitado o arquivamento da representação, mas o procurador-geral Paulo Gonet rejeitou esse pedido. Agora, com o envio à **Justiça Eleitoral**, o caso ganha novos contornos e pode ter implicações significativas para a carreira política do senador Alessandro Vieira, especialmente em ano de eleição.