Polícia desarticula quadrilha do DF que vendia ‘kit golpe’ para criminosos aplicarem fraude do falso parente

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quarta-feira (7), uma operação contra uma organização criminosa especializada no “golpe do falso parente”. A investigação revelou que o grupo não apenas aplicava as fraudes, mas também lucrava vendendo um “kit de golpe” para outros criminosos interessados em realizar a mesma prática.

Como funcionava o esquema criminoso

O grupo operava de forma estruturada desde 2024, com sede em Ceilândia. O líder do esquema, um ex-funcionário de operadora de telefonia, utilizava seu conhecimento técnico para cadastrar chips de celular em nome de terceiros sem autorização. Estima-se que um único aparelho tenha sido responsável pela habilitação de mais de 6 mil chips, que eram vendidos prontos para uso em CPFs de pessoas alheias ao crime.

Venda de kits prontos para o crime

Além de realizar as abordagens por aplicativos de mensagens, onde se passavam por amigos ou parentes das vítimas para solicitar transferências bancárias, os suspeitos comercializavam pacotes contendo informações privilegiadas. O “kit” incluía dados pessoais de vítimas e de seus familiares, além de um roteiro de conversa detalhado, facilitando a ação de outros golpistas em todo o país.

Prejuízos e foco em idosos

A polícia identificou pelo menos 19 ocorrências ligadas à quadrilha, totalizando um prejuízo de cerca de R$ 73 mil. Um dos casos mais graves envolveu uma única vítima que perdeu R$ 53 mil. O grupo demonstrava preferência por alvos vulneráveis, incluindo idosos com idades entre 75 e 83 anos.

Operação e penas previstas

A ação policial cumpriu cinco mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em Ceilândia, Taguatinga e Goiânia (GO). Os cinco investigados — duas mulheres e três homens — podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Devido ao agravante de crimes cometidos contra idosos, as penas somadas podem ultrapassar 26 anos de reclusão.