A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (16), a Operação Óbolo de Caronte, que apura um esquema milionário de desvios de recursos públicos na área de saneamento básico em Belém (PA).
De acordo com a investigação, o valor movimentado chega a R$ 153 milhões, envolvendo contratos firmados entre 2020 e 2024.
Segundo nota oficial da corporação, os recursos federais destinados à infraestrutura urbana teriam sido usados de forma fraudulenta, com indícios de pagamentos superfaturados, contratos fictícios e saques em espécie, prática típica de lavagem de dinheiro.
Mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e afastamento de servidores estão entre as medidas executadas para interromper o ciclo de corrupção.
Os investigadores apontam que parte dos contratos foi firmada pela antiga Secretaria Municipal de Saneamento de Belém (SESAN), hoje reestruturada, mas que continuava sendo usada como canal para desvios milionários.
A Polícia Federal batizou a operação de Óbolo de Caronte em referência ao mito grego do barqueiro que conduzia as almas para o submundo, simbolizando o caminho obscuro por onde o dinheiro público era desviado.
O caso escancara novamente o abismo que separa o discurso da transparência da prática da corrupção. E, mais uma vez, reforça a urgência de fortalecer os mecanismos de fiscalização e controle nas prefeituras brasileiras especialmente em cidades que vivem realidades semelhantes, onde denúncias se acumulam e a impunidade segue intacta.
Em Maricá, por exemplo, o vereador Ricardinho Netuno tem apresentado, semanalmente, denúncias em plenário sobre irregularidades na gestão municipal, apontando supostos desvios, favorecimentos e falta de transparência nos contratos públicos.
Apesar da gravidade das denúncias, nenhum avanço efetivo é visto por parte dos órgãos fiscalizadores.
Diante de tantos escândalos pelo país e da crescente descrença popular, a pergunta que ecoa nas ruas de Maricá e de tantas outras cidades é a mesma:
Onde está o fiscal da lei?