A tentativa do prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), de promover o início das obras do tão propagandeado Porto de Maricá em parceria com o governador Cláudio Castro (PL) acaba de ser desmascarada por quem realmente entende do assunto: os técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
Em parecer contundente, o órgão recomendou o indeferimento da Autorização de Supressão de Vegetação e da Autorização Ambiental, jogando por terra o anúncio feito há menos de dois meses com pompa, marketing e discursos recheados de promessas.
O estudo técnico assinado pela especialista Flavia Cristina de Assis Barbosa não deixa margem para dúvidas: o empreendimento representa uma ameaça severa e irreversível à biodiversidade da região, atingindo ecossistemas de restinga úmida e floresta paludosa habitats fundamentais para a sobrevivência de espécies em risco de extinção.
Segundo o laudo, 25 espécies ameaçadas seriam diretamente impactadas**, incluindo nove classificadas como “Em Perigo (EN)”.
Mais do que uma decisão técnica, trata-se de um alerta gravíssimo sobre os danos ambientais irreparáveis que esse projeto traria caso fosse adiante com destaque também para a violação de leis federais que protegem o bioma da Mata Atlântica.
O documento ainda reforça que a vegetação do local exerce papel crucial na proteção de mananciais e no controle da erosão.
O parecer cita a Lei Federal nº 11.428/2006, que proíbe expressamente a supressão de vegetação primária desse bioma para fins de edificação ou loteamento.
Com isso, o Inea conclui pelo indeferimento total das autorizações ambientais para o projeto Terminais Ponta Negra (TPN)**, também conhecido como Porto de Jaconé.
Realidade desmonta narrativa oficial
No dia 4 de junho, Quaquá e Castro haviam feito um anúncio midiático no Palácio Guanabara, reunindo empresários do setor portuário para declarar que as obras começariam ainda em 2025.
O prefeito comemorou o que chamou de “15 anos de luta”, enquanto o governador garantiu que “todos os licenciamentos estavam adiantados”.
Essa encenação política, no entanto, agora se revela uma jogada de marketing destinada a iludir a opinião pública, gerar manchetes positivas e alimentar a falsa imagem de um governo eficiente e progressista.
Na prática, o projeto sequer tem licença ambiental básica para ser iniciado.
Mesmo com promessa de um investimento de R\$ 1,5 bilhão e a estimativa de 13 mil empregos diretos e indiretos, o projeto colide frontalmente com os princípios básicos de proteção ambiental e só ganhou força institucional graças à aliança política e interesses empresariais.
Ilusão vendida como desenvolvimento

A tentativa de rotular o porto como símbolo de “sustentabilidade e inovação” contrasta com a realidade revelada pelos técnicos ambientais. Enquanto os discursos exaltam a transformação da região numa Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a destruição de ecossistemas inteiros segue sendo ocultada nos bastidores.
A TVC alerta: a população de Maricá precisa estar atenta ao modus operandi de uma gestão que manipula narrativas para sustentar projetos sem base técnica, ambiental ou ética.
Não se trata apenas de proteger árvores mas de proteger a verdade, o futuro da biodiversidade local e o direito da sociedade de não ser enganada por promessas embriagadas de poder.