Prefeito agride jornalista em Serra Negra e caso reacende alerta sobre violência contra a imprensa no Brasil…

Um vídeo entregue ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) escancara mais um episódio de violência contra a imprensa no país: o prefeito de Serra Negra (SP), Elmir Chedid (União Brasil), aparece agredindo o jornalista Luiz Gabriel Godoy, em plena Festa das Nações, no dia 4 de maio.

As imagens mostram o repórter entrevistando uma feirante quando, após ser observado por guardas municipais, é abordado pelo prefeito, que desfere um tapa em seu rosto e o agarra de forma violenta.

Na sequência, um homem que acompanhava Chedid, identificado como o vice-prefeito Rodrigo Demattê Angeli (União Brasil) arranca o celular da mão do jornalista. Godoy ainda é imobilizado por um agente da Guarda Municipal. A primeira-dama, Deborah Molina Chedid , também foi incluída na denúncia.

A defesa do jornalista aponta que tanto o boletim da Polícia Civil de Serra Negra quanto o relatório interno da Guarda Municipal omitiram informações centrais, como a agressão física praticada pelo prefeito e a apropriação indevida do celular.

Elementos, porém, estão claramente registrados em vídeo .

Um cenário que ultrapassa Serra Negra

O caso não é isolado. No Brasil, jornalistas têm sido vítimas de agressões, ameaças e até execuções , sobretudo quando expõem a realidade de gestores públicos ou interesses políticos.

O episódio de Serra Negra traz à tona novamente a urgência de proteger a liberdade de imprensa, direito fundamental em uma democracia.

Em Maricá (RJ), dois jornalistas foram executados em um curto prazo ocorreram as 2 execuções e outros seguem ameaçados.

Até hoje, a dinâmica completa desses crimes não foi devidamente esclarecida: quem mandou matar permanece protegido pelo silêncio das autoridades. Enquanto isso, a cidade continua marcada pelo medo e pela ausência de respostas, configurando um ambiente hostil para profissionais que ousam cumprir seu dever de informar.

A omissão das entidades jornalísticas

Diante da escalada da violência, é inaceitável a passividade de entidades que deveriam zelar pela categoria. Agressões, intimidações e assassinatos contra jornalistas não podem ser naturalizados. A cada novo caso abafado, abre-se espaço para que prefeitos, vereadores e autoridades locais se sintam autorizados a transformar o trabalho da imprensa em alvo de perseguição.

A imprensa como olhos e ouvidos da população

A sociedade precisa compreender que atacar jornalistas é atacar o direito do povo à informação. Quando um repórter é silenciado à força, toda a população perde o acesso à verdade. E é justamente isso que alguns gestores querem: calar as vozes incômodas, apagar as denúncias e blindar seus mandatos contra críticas.

O episódio em Serra Negra deve servir como alerta nacional. Não se trata apenas de um jornalista agredido em festa popular trata-se do desrespeito aberto à liberdade de imprensa e à democracia. Se não houver reação firme e responsabilização exemplar, esse padrão de violência tende a se repetir e se espalhar.