Em mais uma controvérsia que assola a administração municipal, o prefeito de Maricá anunciou a contratação de um renomado nome da Bahia, Vovô do Ilê, fundador do icônico bloco afro Ilê Aiyê, para assumir uma posição de destaque na recém-criada Universidade Livre do Carnaval.

Em uma postagem no Instagram, o líder do Executivo expressou a intenção de formar talentos para uma indústria que gera alegria, renda e esperança para milhares de trabalhadores.
No entanto, essa escolha levanta questões sobre a prioridade dos investimentos públicos na cidade.
O Ilê Aiyê tem um histórico significativo no Carnaval de Salvador, sendo conhecido como “o mais belo dos belos” e celebrando sua história ao subir a ladeira do Curuzu, inaugurando a folia no Campo Grande.
Entretanto, a escolha do prefeito de trazer um nome de fora da cidade para um cargo tão relevante, enquanto Maricá enfrenta desafios locais graves, como déficit em saneamento básico e um colapso econômico, tem causado descontentamento entre os moradores.
A cidade tem experimentado um desempenho em massa preocupante, com várias empresas fechando as portas.
Um exemplo emblemático é a Churrascaria Maminha de Ouro, um dos comércios tradicionais de Maricá, com mais de 30 anos de existência. Em conversa com o jornalista Ricardo Cantarelle, um dos sócios da churrascaria revelou que o estabelecimento está passando por momentos extremamente difíceis: “O dinheiro parou de circular na cidade. Só não fechamos ainda porque o prédio é da empresa; caso contrário, já estaria fechado”.
A situação, alarmante, pode resultar na perda de empregos, afetando inúmeras famílias que dependem dessa fonte de renda.
Enquanto os custos com o Carnaval de Maricá alcançaram a impressionante cifra de 8 milhões de reais, resultando em um modesto 5º lugar na disputa, a cidade se viu na posição de piada nos bastidores do mundo do samba.
Essa situação levanta preocupações a respeito da transparência e da responsabilidade do prefeito em relação aos recursos públicos, que, segundo muitos cidadãos, deveriam ser direcionados a atender as necessidades urgentes da população.
Além disso, o silêncio do Poder Legislativo sobre essas decisões é alarmante.
Os vereadores, que deveriam atuar como fiscais e representantes da população, parecem estar alheios a essa realidade.
As críticas do prefeito em 2001, durante o programa de maior audiência, “Comunidades em Ação”, agora parecem contradizer suas atuais ações, afetando negativamente sua credibilidade junto aos eleitores.
Diante desse cenário, a participação do Poder Legislativo se torna crucial.
Os representantes da população devem exigir do prefeito mais transparência e um diálogo mais próximo com os cidadãos de Maricá, assegurando que os investimentos públicos sejam utilizados para resolver problemas reais e urgentes da comunidade.
A cidade, que está “afundando na bosta”, precisa de ações que realmente atendam aos interesses de seus habitantes e não projetos que prestigiam personalidades de fora. A hora de agir é agora.