A população de Maricá recebeu com apreensão a notícia publicada no Jornal Oficial do município no último dia 1º de setembro: o prefeito Washington Quaquá rescindiu, de forma unilateral, o contrato com o Instituto E-Dinheiro Brasil, responsável pela gestão da Moeda Social Mumbuca, considerada o maior carro-chefe dos programas sociais da cidade

O rompimento atinge diretamente a engrenagem de projetos como a Renda Mínima, a Renda Básica da Cidadania e a Locação Social, que juntos movimentam milhões de reais no comércio local e garantem dignidade a milhares de famílias.
Para muitos, a medida reacende o medo de que este seja mais um capítulo da política de cortes que já eliminou outros benefícios e desempregou centenas de trabalhadores
nos últimos meses, precarizando a vida de quem mais precisa..
Um contrato rompido às pressas
Segundo a publicação oficial, a decisão teria sido tomada com base em “inexecução contratual”, prevista na Lei nº 13.019/2014.

O Instituto, no entanto, afirmou em nota que foi “pego de surpresa”, destacando seus oito anos de atuação em Maricá, com reconhecimento nacional e internacional.
A entidade garantiu que os recursos e saldos já existentes serão preservados, mas jogou a responsabilidade para a prefeitura sobre o futuro da moeda.
Histórico de falhas e investigações
Não é a primeira vez que a gestão da Mumbuca entra no radar dos órgãos de controle.
Em 2024, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontou falhas graves na administração do programa, como falta de segregação de recursos, cadastros desatualizados e até pagamentos a beneficiários já falecidos.
Também houve operações do Ministério Público e da Polícia Civil para desmontar esquemas de fraude e desvio de dinheiro.
Apesar dos problemas, o TCE reforçou em seus relatórios a importância social do programa e a necessidade de aprimorar sua gestão, e não de descontinuá-lo.
Clima de insegurança
A forma brusca como a rescisão foi conduzida acendeu o alerta vermelho entre os beneficiários: **“Será que Quaquá vai acabar com a Mumbuca como já acabou com outros programas sociais?”.
O receio não é à toa. Desde o início de sua gestão, o prefeito já cortou benefícios, deixou centenas de trabalhadores sem emprego e enfraqueceu o comércio local.
Agora, com a moeda social em xeque, cresce a sensação de que o atual governo desmonta as conquistas sociais construídas ao longo da última década.
O que está em jogo
Mais do que um contrato, o que se rompe é a confiança da população em um programa que virou referência internacional de renda básica.
O prefeito terá de explicar como pretende garantir a continuidade da Mumbuca sem comprometer a vida das famílias que dela dependem e o comércio que gira em torno dela.
Enquanto isso, o sentimento que ecoa nas ruas é o de que a população não esquecerá quando for a hora de dar a resposta.