A operação no Rio de Janeiro que resultou em mais de uma centena de mortes durante o confronto entre forças de segurança e traficantes colocou o governo federal numa posição delicada.
Grande parte da esquerda esperava que o presidente Lula criticasse a ação, classificando o episódio como uma “chacina”.
Mas o efeito foi o oposto: diante da aprovação popular à resposta firme das forças legais, o presidente mudou de tom.
Segundo reportagem do Jornal de Brasília, Lula foi aconselhado a não contrariar o sentimento das ruas e acabou elogiando o “trabalho coordenado das forças de segurança”, assumindo um discurso muito semelhante ao que Washington Quaquá vinha defendendo dias antes, quando declarou ser preciso enfrentar o crime organizado nas áreas dominadas pelo tráfico.
Mas, se o discurso de Quaquá ecoou em Brasília, a prática não se reflete na cidade que ele ajudou a construir politicamente.
Em Maricá, o que se vê é o oposto da segurança que ele prega nos microfones.
Quaquá, comemora quando um “criminoso pé de chinelo” é preso, enquanto grupos armados circulam livremente pelo chamado “cinturão de segurança” da cidade o mesmo que deveria proteger os moradores.
A contradição ficou ainda mais evidente no último episódio de violência: um grupo criminoso tentou invadir uma área em um distrito de Maricá e matou uma moradora inocente que apenas passava pela rua.
A tragédia deixou famílias destruídas e expôs o abismo entre o discurso político e a realidade vivida nas comunidades.
As últimas ocorrências mostram que a cidade “do futuro”, como costuma dizer o prefeito, vive hoje um presente de medo e insegurança.
O contraste entre o marketing oficial e a rotina das ruas tem transformado Maricá em motivo de ironia nas redes, onde a população cobra coerência de quem fala em combater o crime, mas fecha os olhos quando o problema está dentro de casa.