QUAQUÁ E O PT: QUANDO O PARTIDO VIRA EXTENSÃO DA VONTADE PESSOAL…

A nota pública divulgada pela Executiva Municipal do PT de Niterói, classificando como “inaceitável” a postura da direção estadual no processo de filiação da vereadora Benny Briolly, vai muito além de um episódio interno do partido.

O documento escancara um sentimento antigo entre quadros petistas: o de que as decisões passam a ser tomadas de cima para baixo, sem diálogo e sem respeito às instâncias locais.

À frente do PT estadual está diego zeidan, filho do prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido, washington quaquá.

A reação do diretório de Niterói não nasce do acaso. Ela reflete uma leitura política já conhecida por quem convive, há anos, com a dinâmica de poder exercida por Quaquá.

Na prática, a nota do PT Niterói soa menos como um ato de rebeldia e mais como um desabafo público. Um recado claro de dirigentes que se sentiram desprestigiados, ignorados e atropelados por decisões tomadas sem consulta, sem construção coletiva e sem respeito aos regimentos partidários.

Esse método não é novidade. Em Maricá, vereadores da própria base relatam, há tempos, uma relação marcada pela centralização extrema.

O diálogo ocorre quando interessa ao Executivo. Projetos são definidos sem debate prévio, prioridades mudam conforme a vontade do prefeito, e o Legislativo muitas vezes é tratado como instância decorativa.

Não por acaso, episódios de constrangimento político e isolamento de aliados já foram relatados publicamente ao longo dos anos.

A condução da filiação de Benny Briolly, portanto, apenas reproduz um padrão já conhecido.

Um modelo em que a força institucional do partido é usada como instrumento pessoal de poder, onde o que prevalece não é a construção coletiva, mas a convicção individual de quem se vê como liderança incontestável.

Dentro do próprio PT, esse comportamento acumula críticas históricas. Declarações duras de antigos aliados, inclusive de figuras nacionais do partido, já evidenciaram o desgaste provocado por essa forma de conduzir a política.

A nota do PT de Niterói entra para essa mesma linha do tempo: mais um grupo que percebe, tarde ou cedo, que o partido não pode funcionar como propriedade privada de ninguém.

Para quem acompanha a trajetória de Quaquá desde antes de ocupar posições de destaque, a reação de Niterói não traz surpresa.

O episódio apenas reforça uma percepção recorrente nos bastidores do PT fluminense: quando a vontade pessoal se sobrepõe ao partido, o conflito deixa de ser exceção e passa a ser regra.