Quaquá vai à Veja, abraça Pedro Paulo e empurra a crise com o PT para além do limite…

Por Ricardo Cantarelle /TVC

Washington Quaquá não é homem de meias palavras e é exatamente isso que está custando caro ao prefeito de Maricá dentro do seu próprio partido. Em entrevista à revista Veja, o petista reafirmou apoio a Pedro Paulo, candidato ao Senado e um dos pilares da arquitetura política de Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

Foi o bastante para transformar o que já era tensão em algo que interlocutores próximos à executiva nacional descrevem à TVC como insustentável.

Apoiar Pedro Paulo não é um gesto qualquer. É acenar publicamente para o campo que o PT fluminense trata como adversário. É entregar ao PSD um argumento de credibilidade no campo progressista.

E é fazer isso estampado nas páginas de uma das maiores revistas do país sem subterfúgio, sem rodeio, com a naturalidade de quem não sente que deve satisfações à própria sigla.

Mas foi em outro trecho da entrevista que Quaquá cravou a estaca com mais força. Ao se referir à deputada federal Benedita da Silva como “velha” e ao argumentar, na sequência, que o idoso está mais capacitado para ocupar espaço público do que ela, o prefeito de Maricá produziu uma das contradições mais barrocas da política fluminense recente.

Usou a idade como troféu para si e como descarte para a outra. O problema é que esse tipo de descuido tem endereços.

Estudiosos da cultura japonesa civilização que serve de referência mundial no trato com o envelhecimento descrevem os idosos como fontes de sabedoria e guardiões da memória coletiva.

O respeito a eles é tão estrutural na sociedade nipônica que existe um feriado nacional dedicado exclusivamente a essa homenagem: o Keiro no Hi, celebrado na terceira segunda-feira de setembro, cuja origem remonta a 1947, quando uma pequena aldeia da província de Hyogo proclamou o “Dia dos Mais Velhos” para que os jovens honrassem e aprendessem com os mais experientes reconhecendo sua sabedoria como fundamental para a reconstrução do pós-guerra.

No Brasil, Benedita da Silva não precisa de feriado. Ela é, por si só, um símbolo de resistência dentro do PT e atacá-la nesses termos não é apenas uma imprudência política. É um documento de disposição.

E documentos de disposição têm consequências. As declarações de Quaquá não ficam restritas ao embate com a executiva nacional: elas respingam diretamente sobre os candidatos que dependem do seu capital político em Maricá.

Diego Zeidan, sua mãe Rosângela Zeidan, Renato Machado e Alleyson Elias filho do vereador Aldair Nunes constroem suas candidaturas sobre o mesmo palanque que Quaquá acaba de sacudir.

Cada fala polêmica do prefeito é mais um peso que esses nomes carregam nas urnas. Em política, quem abraça o leão dorme com os arranhões e os candidatos da base de Maricá acordaram com um novo conjunto deles.

A reportagem tentou contato com as partes citadas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.