Por Ricardo Cantarelle
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) voltou a colocar o dedo na ferida da segurança pública fluminense. Em nova manifestação nas redes, o parlamentar cravou uma comparação que expõe, de forma crua, o tamanho do desequilíbrio de forças no estado: segundo ele, há hoje mais fuzis nas mãos do crime organizado dentro da Rocinha do que efetivamente disponíveis e aquartelados no 1º Exército Brasileiro.
“Eu aposto que o Primeiro Exército não tem disponível, aquartelado, a quantidade de fuzil que tem na Rocinha”, afirmou Lopes, sem meias palavras.
A fala não é retórica vazia vem acompanhada de uma proposta concreta. O deputado defende o cerco imediato da comunidade por efetivo militar já presente no estado: “Bota oito mil fuzileiros, porque o Rio de Janeiro tem oito mil fuzileiros aquartelados aqui, oito mil parados aqui.”
Na avaliação de Lopes, o efetivo naval hoje ocioso na cidade poderia, em questão de dias, reverter décadas de omissão institucional. Ele chegou a citar publicamente o almirante Marcos Sampaio Olsen das Chagas, comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, defendendo o fechamento do perímetro: “não entra fuzil, não sai fuzil.”
A raiz do problema: uma economia paralela que sustenta o armamento
Mais do que apontar a falta de tropa nas ruas, Lopes foi direto ao ponto que, segundo ele, poucos têm coragem de nomear: o financiamento estrutural do crime organizado passa por dentro da rotina de quem mora no Rio muitas vezes sem que a população perceba o alcance do próprio consumo.
O deputado citou o hábito naturalizado de comprar produtos piratas de camisetas a aparelhos de TV Box como um dos elos que sustentam o poder de fogo das facções. “Ele esquece que, quando ele está fazendo isso, ele está financiando o crime que vai assaltar e tirar a vida dele”, disse, classificando a pirataria como atividade plenamente criminosa, e não um delito menor ou tolerável.
“Não tem pirataria menos ofensiva. Ela é atividade criminosa.”
Segundo Lopes, esse é o mesmo circuito que sustenta as chamadas áreas segregadas do estado territórios onde o próprio crime organizado cobra à sua maneira pelos serviços que o poder público deveria oferecer, ou tributa por fora o consumo de quem vive ali.
O deputado citou cobrança irregular sobre o preço do gás, bebida e outros itens de consumo dentro de comunidades sob domínio de facções, como parte do mesmo ecossistema que, na outra ponta, compra fuzil.
Um recado direto sobre o momento do estado
Para Lopes, o Rio de Janeiro já não pode tratar a violência armada como uma equação de longo prazo. “A questão da segurança pública no Rio de Janeiro exige coragem, postura firme e atitude imediata. Não dá mais para aceitar a omissão diante da violência que toma conta do nosso estado”, afirmou o parlamentar, resumindo a proposta em três palavras: “presença, força e tolerância zero.”
A declaração do deputado chega em meio a um debate crescente sobre o papel das Forças Armadas no apoio à segurança pública fluminense, tema que Lopes tem defendido publicamente como prioridade de seu mandato e que, segundo ele, segue sem resposta efetiva do poder público estadual e federal.
Matéria produzida a partir de manifestação pública do deputado Júlio Lopes.