Teresópolis: Lei que autoriza prédios de até 20 andares gera polêmica e questionamentos de moradores e MP

Aprovação sem debate público

Teresópolis sancionou uma nova lei que autoriza a construção de edifícios com até 20 andares, gerando forte reação de moradores e especialistas em urbanismo. A principal crítica recai sobre a forma como a lei foi aprovada, sem a devida consulta pública ou análise prévia do Conselho Municipal da Cidade (Comud). O presidente do conselho, Luciano Savattone, declarou que tomou conhecimento da mudança apenas após a aprovação e se posicionou contra a medida, afirmando que a alteração não partiu da Secretaria de Urbanismo nem do corpo técnico do município.

Ministério Público acompanha e recomenda cautela

A 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Teresópolis informou que está acompanhando o caso e avaliando as implicações jurídicas da nova legislação. O Ministério Público prepara uma recomendação para que o município evite aprovar projetos que contrariem o Plano Diretor. A expectativa é que a recomendação seja enviada após o recesso de fim de ano, no dia 5 de janeiro. Há também a suspeita de que a lei possa favorecer um grupo empresarial específico nas áreas atingidas, o que, se confirmado, pode levar a questionamentos de inconstitucionalidade.

Preocupações com infraestrutura e paisagem

Especialistas alertam para os riscos da verticalização em uma cidade serrana e turística como Teresópolis. A medida pode sobrecarregar a infraestrutura urbana existente, incluindo o sistema viário, abastecimento de água, esgotamento sanitário e fornecimento de energia elétrica. Apesar de a lei limitar a ocupação a 35% da área total em terrenos acima de 10 mil metros quadrados, o aumento da densidade populacional é visto como um agravante para problemas como ruas estreitas e mal conservadas. A descaracterização da paisagem urbana é outra grande preocupação, com o receio de que edifícios de até 60 metros de altura comprometam a preservação visual de cartões-postais da cidade, como o Dedo de Deus.

Impactos ambientais e precedentes perigosos

Os impactos ambientais também são motivo de alerta. A construção de prédios altos pode causar sombreamento excessivo em áreas vizinhas, prejudicar residências e áreas verdes, além de contribuir para a formação de ilhas de calor e alterar o microclima local. Críticos apontam que a falta de planejamento integrado e transparência na aprovação da lei pode abrir precedentes para futuras mudanças no zoneamento, ampliando a descaracterização arquitetônica em outras regiões de Teresópolis.