Cenário de destruição sem furto
Um terreiro de Candomblé localizado em Iguabinha, distrito de Araruama, foi alvo de uma invasão violenta durante o feriado de Finados. Ao retornarem ao espaço, fiéis encontraram portas arrancadas, alimentos espalhados, móveis danificados e assentamentos sagrados quebrados. O pai de santo Alexandre de Oxalá, responsável pelo Ilgbé Ilé Osàlà Afayiá, destacou que, como nada foi roubado, a motivação aponta claramente para um ato de intolerância religiosa.
Suspeita de planejamento e intimidação
Segundo o relato do pai de santo, os invasores teriam entrado pelos fundos do imóvel, em um ponto cego que evita o monitoramento de câmeras de segurança públicas próximas. O nível de destruição dentro do barracão e a violação de pertences pessoais dos filhos de santo, sem a subtração de itens de valor, são vistos como uma tentativa deliberada de intimidar a comunidade religiosa e demonstrar hostilidade contra a fé de matriz africana.
Crescimento da violência em Araruama
O caso, registrado na delegacia nesta quarta-feira (4), não é um episódio isolado. Lideranças locais afirmam que a recorrência de ataques a terreiros na região tem gerado um sentimento de insegurança constante. Outra casa religiosa em Iguabinha também sofreu invasão recentemente, e um altar de Umbanda no bairro Areal foi incendiado em julho. Dados indicam que a intolerância religiosa segue como um desafio persistente no estado do Rio de Janeiro.
Reação e busca por proteção
Diante do aumento das ocorrências, o Coletivo de Terreiros de Araruama tem orientado as lideranças a reforçarem as medidas de segurança, incluindo a instalação de câmeras e sistemas de monitoramento. Além disso, o grupo reforça a importância de registrar boletins de ocorrência detalhados. Representantes do movimento alertam que os terreiros estão na linha de frente da violência religiosa e pedem que as autoridades tomem providências efetivas para garantir o direito ao culto e a proteção desses espaços sagrados.