Terremoto na Venezuela: Tragédia se agrava com 920 mortos e milhares de desaparecidos; Brasil e Starlink enviam ajuda

A Venezuela enfrenta um cenário de devastação após os fortes terremotos que atingiram o país na última quarta-feira, 24 de junho. O número de mortos subiu drasticamente, e a busca por sobreviventes e desaparecidos se intensifica a cada hora.

Equipes de resgate de diversas nações, incluindo o Brasil, estão no terreno, operando em meio aos escombros de prédios que desabaram, na esperança de encontrar mais pessoas com vida.

A crise humanitária é profunda, e a solidariedade internacional tem sido fundamental para o país. Os esforços contam com apoio tecnológico e logístico, conforme informações divulgadas pelo governo venezuelano e agências internacionais.

Aumento Chocante de Vítimas e a Busca Desesperada por Desaparecidos

O balanço mais recente, atualizado pelo governo venezuelano às 14h20 de Brasília nesta sexta-feira, 26 de junho, indica que o número de mortos pelos terremotos chegou a 920 pessoas, um salto alarmante em relação aos dados anteriores.

A dimensão da tragédia é ainda maior quando se considera o número de desaparecidos. Mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas após os terremotos, conforme afirmou um alto funcionário da ONU à agência de notícias AFP.

Os tremores, de magnitudes 7,5 e 7,2, foram registrados em um intervalo de menos de um minuto, causando destruição generalizada. O estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas, teve sua militarização anunciada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

A capital Caracas também sofreu impactos severos. O município de Chacao foi um dos pontos mais atingidos, com três edifícios residenciais, Don Pepe, Petunia e Belmont, colapsando completamente. A televisão estatal informou que 11 pessoas faleceram em Chacao, mas mais de 23 foram resgatadas com vida.

O número de feridos também é preocupante, com 2.980 pessoas registradas, embora não esteja claro se essa estatística foi revisada em relação aos 4.300 anteriores ou se a diferença representa pessoas já liberadas de hospitais.

Mobilização Internacional: Brasil na Linha de Frente

A resposta internacional à tragédia na Venezuela tem sido robusta. O Brasil enviou uma missão humanitária composta por 44 resgatistas, que embarcaram em um avião KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB).

A equipe brasileira é altamente especializada em Busca e Resgate Urbano, reunindo profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), segundo a FAB.

Além do Brasil, a ajuda internacional está chegando de diversas partes do mundo. Equipes de busca e resgate da Colômbia, Chile, República Dominicana, Espanha e Suíça já estão trabalhando ou a caminho da Venezuela.

Um avião da Força Aérea do Chile, com uma equipe especializada, chegou à cidade venezuelana de Valencia. Os Estados Unidos também enviaram equipes de socorro, supervisionadas pelo major-general do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Kevin Jarrard.

A Espanha confirmou a morte de dois cidadãos espanhóis e busca por 80 desaparecidos, evidenciando a amplitude da crise que afeta diversas nacionalidades no país.

Tecnologia a Serviço da Crise: O Papel de Elon Musk e Starlink

Em meio ao caos, a tecnologia também se tornou um pilar de apoio. O X, antigo Twitter, que estava bloqueado na Venezuela desde 2024, voltou a funcionar no país na quinta-feira, 25 de junho, conforme monitoramento do site A VE sin Filtro.

A presidente interina Delcy Rodríguez agradeceu publicamente a Elon Musk, dono da plataforma, por disponibilizar internet gratuitamente no país através da Starlink. A empresa anunciou que oferecerá internet gratuita até 25 de julho para clientes das áreas afetadas pelos terremotos.

Este benefício se estende a usuários ativos, àqueles que cancelaram a assinatura e podem reativar sem custos, e a novos clientes que comprarem o equipamento. A Starlink também se comprometeu a substituir gratuitamente kits danificados pelos terremotos.

Relatos de Sobrevivência e Solidariedade

Os relatos pessoais trazem a dimensão humana da tragédia. Um comissário de bordo da Gol, que estava em Caracas com a tripulação durante os terremotos, gravou um vídeo logo após os tremores, mostrando a apreensão. A Gol confirmou que todos os tripulantes estão bem e em segurança.

Maria Eugênia Andre Avilez, venezuelana que vive há seis anos em Campinas, São Paulo, expressou sua apreensão ao g1 sobre a situação de sua família no sul do país, destacando a resiliência do povo venezuelano.

Em um gesto de solidariedade diplomática, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com seu homólogo venezuelano, Yván Gil, manifestando profundo pesar e apoio ao povo venezuelano neste momento difícil.