Repetição de Promessas Gera Desconfiança
Donald Trump tem repetido a afirmação de que um acordo com o Irã está próximo de ser fechado. Segundo um levantamento da CNN, o ex-presidente americano já declarou isso ao menos 37 vezes desde o início do cessar-fogo. Na última terça-feira (9), Trump reiterou que o acordo poderia ser concluído em ‘dois ou três dias’. No entanto, essa postura tem gerado um fenômeno conhecido no jargão de negociações internacionais como ‘gap de credibilidade’.
A analista de Relações Internacionais Fernanda Magnotta explicou que o ‘gap de credibilidade’ ocorre quando um líder anuncia repetidamente um resultado iminente que, na prática, não se concretiza. Essa repetição, segundo Magnotta, leva mercados, aliados e até adversários a desconsiderar tais declarações. O problema, destaca a analista, não é necessariamente a ausência de um acordo, mas sim a criação de expectativas temporais específicas que não são cumpridas.
Padrão Histórico em Negociações
Magnotta identificou esse padrão em outras situações envolvendo Trump. Um dos exemplos citados foi a aproximação com a Coreia do Norte. Apesar de encontros históricos, como a visita de Trump a Pyongyang em 2019, pouco avanço concreto foi observado nas relações bilaterais e nas questões nucleares norte-coreanas.
Outro caso mencionado é o conflito entre Rússia e Ucrânia. Trump prometeu diversas vezes soluções rápidas para a guerra, chegando a afirmar que encerraria o conflito em 24 horas durante a campanha eleitoral. Nenhuma dessas promessas se materializou, evidenciando um padrão de otimismo público que, segundo Magnotta, pode ser utilizado como ferramenta estratégica de negociação.
Custos Políticos e Contradições
Apesar de um possível caráter estratégico, a analista alerta para o alto custo político dessa postura no curto prazo. A falta de previsibilidade e a impaciência da opinião pública podem minar a credibilidade do negociador. No cenário atual, Magnotta aponta uma contradição: enquanto Trump fala em acordo com o Irã, ele também menciona a derrubada de um helicóptero americano por forças iranianas e a possibilidade de retaliação. Essa dinâmica, segundo ela, mantém a ‘chama da guerra acesa’, aumentando o risco de escalada de conflitos.