Por Ricardo Cantarelle
Anthony Garotinho não precisou esperar a decisão para anunciá-la. Horas antes de o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, derrubar a liminar que o TRE-RJ havia imposto contra sua candidatura ao governo do Rio, o próprio candidato já cravava, em vídeo, que Brasília reverteria a decisão do tribunal fluminense. E foi exatamente o que aconteceu.
O que decidiu o TSE
Na quinta-feira (27), por decisão unânime, o TRE-RJ impôs a Garotinho uma tripla restrição: suspendeu o Fundo Partidário e o FEFC, tirou sua propaganda do horário eleitoral e o proibiu de participar dos debates. O colegiado, relatado por Bruno Bodart, ainda determinou devolução de valores e multas de 10%. A ação partiu da coligação de Eduardo Paes (PSD).
Menos de 24 horas depois, Floriano de Azevedo Marques, relator da reclamação da defesa de Garotinho no TSE, restabeleceu os direitos previstos no artigo 16-A da Lei das Eleições que garante a candidatos com registro sub judice seguir em campanha, com fundo, propaganda e debates. Para o relator, o TRE-RJ não teria competência para restringir, sozinho, esses direitos enquanto o registro segue sub judice decisão que caberia ao próprio TSE. O ministro listou controvérsias ainda abertas (contagem da suspensão dos direitos políticos, filiação partidária, impacto da LC 219/2025) e concluiu não ser possível, neste momento, tratar a candidatura como inviável a ponto de justificar a interdição da campanha.
Vale o registro: o TSE não julgou o mérito nem declarou Garotinho elegível. Apenas suspendeu, liminarmente, os efeitos de uma decisão que considerou excessiva.
Os dois vídeos: antes e depois
Antes da decisão, em coletiva no Centro do Rio, Garotinho foi direto:
“Corrupção não tem profissão, tem corrupto em tudo quanto é esfera. Infelizmente, aqui no estado do Rio, essa corrupção que generalizou no mundo político, no poder legislativo, no poder executivo, afetou também o poder, parte do poder judiciário e parte também do Ministério Público. Eles não querem ninguém que possa desmontar isto que está montado aqui no estado do Rio de Janeiro.”
Publicada a decisão do TSE, ele voltou às câmeras, já em tom de vitória:
“Eu estou aqui para confirmar aquilo que nós dissemos hoje cedo, que quando esta decisão do Tribunal do Rio de Janeiro chegasse à Brasília, a qualquer um dos ministros, isso não existiria. […] O Tribunal do Rio de Janeiro agiu dentro desse espírito que está pairando no Rio de Janeiro, que é um espírito que, simplesmente, foi contaminado por esse ambiente apodrecido institucionalmente. […] Agora, o órgão superior da justiça eleitoral no Brasil […] diz com todas as letras que está errado tirar o fundo, está errado proibir debates, que eu estou liberado para todos os atos de campanha.”
O contraste chama atenção: em outro momento, atribuiu-se a Garotinho a fala de que sempre confiou na Justiça e não queria transformar a decisão em palanque — discurso de moderação que convive, na mesma janela de horas, com o tribunal “contaminado” e o ambiente “apodrecido”.
Confiança seletiva, tribunal sob suspeita
Os dois vídeos escancaram uma distinção que Garotinho fez questão de marcar: confia na Justiça Eleitoral de Brasília, desconfia abertamente da Justiça do Rio. A sequência, gravada com poucas horas de intervalo, dá a ele um ar de prognóstico cumprido anunciou que a decisão fluminense “não existiria” ao chegar a Brasília, e não sobreviveu.
Do ponto de vista jurídico, porém, há leitura menos heroica: o TSE não apontou má-fé ou conluio no TRE-RJ, apenas uma questão de competência processual. Mas, na narrativa que Garotinho constrói para o eleitor — e que ele mesmo anunciou como previsão a se cumprir a Justiça do Rio sai da liminar em situação de suspeita, acusada por ele de operar sob um “espírito contaminado”.
Fica o pano de fundo: a condenação por improbidade que suspendeu os direitos políticos de Garotinho por oito anos, com trânsito em julgado alegado desde 2018, mas ainda sub judice questão que segue em aberto mesmo após a liminar do TSE.
O brinde que ficou no ar
Assim que o TRE-RJ barrou Garotinho, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, publicou no próprio Instagram um vídeo fumando charuto para provocar o adversário, dando a entender que seu peso político nos bastidores teria pesado na decisão e fechou chamando o rival de “otário”.
O problema é o timing. O gesto de vitória na quinta virou piada de mau gosto em menos de 24 horas: o TSE devolveu a Garotinho exatamente as três coisas que Quaquá comemorava ter tirado dele. Se a insinuação de influência nos bastidores era mesmo a mensagem por trás do charuto, ela também caducou Brasília não referendou o que, segundo o próprio prefeito, teria sido arquitetado no Rio.
Fica a pergunta: o prefeito grava um novo vídeo agora, com a decisão em sentido contrário ou o silêncio, dessa vez, é a resposta? E quem, afinal, é o “otário” quando a Justiça Eleitoral desmonta em Brasília aquilo que se comemorou no Rio?
É esse tipo de contradição que separa quem cobre a política do Rio de longe de quem está dentro dela. E aqui está o diferencial da
Quaquá comemorou antes da hora e a euforia não resistiu ao capítulo seguinte.”
“deu a vitória por encerrada no intervalo. Esqueceu que o jogo tem segundo tempo.”
Como uma”EJACULAÇÃO PRECOCE”.
ALERTA GAROTINHO!!!
QUAQUA QUAQUA SUA HORA IRÁ CHEGAR!!