Nos bastidores do poder, há silêncios que falam mais do que discursos.
Em Maricá, a frequência de viagens internacionais realizadas por agentes ligados à administração pública desperta a curiosidade de quem acompanha de perto os rumos da cidade.
Embora cada viagem venha acompanhada de justificativas oficiais, muitas vezes bem formuladas, o que se observa é uma movimentação que escapa do olhar comum da população.
Não se trata de afirmar nada, mas sim de estimular o senso crítico diante de uma engrenagem política que parece funcionar sob outra lógica uma que nem sempre bate com o discurso de “governo popular” tão alardeado nos palanques.
O relatório internacional conhecido como Pandora Papers revelou com clareza como autoridades, empresários e políticos do mundo inteiro usam brechas na lei para criar empresas de fachada em paraísos fiscais, movimentar fortunas e esconder o verdadeiro destino do dinheiro público.
O esquema é simples e perverso: cria-se uma empresa no exterior, geralmente em lugares como Ilhas Virgens, Panamá ou Suíça.
Depois, com contratos superfaturados ou com notas fiscais frias, o dinheiro público escorre como água para essas contas, passando por várias mãos até sumir completamente do radar da justiça.
É assim que fortunas crescem enquanto o povo segue esperando por saúde, educação e transporte digno.
Em Maricá, o cenário é inquietante.
O vereador Ricardinho Netuno, em várias sessões da Câmara Municipal, tem feito denúncias gravíssimas, encaminhadas formalmente ao Ministério Público.
Em seus discursos, ele fala em manobras que envolvem milhões de reais, uso indevido de contratos públicos e possível atuação coordenada de pessoas com conhecimento profundo da lei para burlar o sistema.
Netuno, como fiscal do povo e representante com fé pública, tem agido dentro dos trâmites legais.
Já o Ministério Público também tem recebido diversas denúncias de cidadãos e de outros órgãos, que indicam a necessidade de apuração rigorosa sobre contratos e movimentações da atual gestão.
Diante disso, o questionamento é inevitável:
será que estamos diante de uma nova engrenagem de lavagem de dinheiro com fachada de gestão progressista?
Ou tudo isso é só fruto de uma coincidência entre viagens, contratos e silêncio institucional?
O povo não precisa de conclusões prontas, precisa de informação clara, de olhos atentos e da coragem de enxergar o que está diante dos olhos.
Quando o poder viaja muito, pode ser que esteja fugindo não do país, mas do povo.