A cidade de Maricá volta ao centro das atenções não por avanços sociais, mas por uma sequência de declarações que colocam em xeque a coerência do vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá.
A polêmica reacendeu após o ex-deputado André Ceciliano publicar críticas contundentes ao casal que comanda o Executivo maricaense.
O estopim foi a revelação de que Gabriela Lopes Siqueira, esposa do prefeito e primeira-dama de Maricá, teria adquirido uma fazenda de luxo avaliada em mais de R$ 20 milhões, localizada em Bemposta, Três Rios, onde pretende erguer um empreendimento turístico e agroecológico de alto padrão.
O contraste que não fecha: lucro de R$ 1 milhão e fazenda de R$ 20 milhões…
O próprio Quaquá, em declarações públicas registradas em reportagem do portal Metrópoles, admitiu que o Camarote Favela, projeto idealizado por sua esposa na Marquês de Sapucaí, lucrou cerca de R$ 1 milhão durante o Carnaval.
Segundo ele, a iniciativa seria “voltada à cultura periférica” e sem fins de grandes lucros. Mas agora, contradizendo o que afirmava em 2024, Quaquá tenta justificar a aquisição da fazenda milionária alegando que os recursos vieram da comercialização dos ingressos do mesmo camarote uma versão que não se sustenta diante da matemática simples.
A conta é direta: um empreendimento que gera R$ 1 milhão de lucro não explica um investimento vinte vezes maior. E esse abismo financeiro levanta dúvidas sobre a real origem dos recursos que financiaram o luxo da fazenda serrana

Os números reais dos camarotes VIP da Sapucaí…
Enquanto o Camarote Favela opera em escala limitada, os espaços realmente milionários do Carnaval carioca como o Camarote Nº 1 e o Nosso Camarote chegam a faturar entre R$ 30 e R$ 35 milhões por temporada, segundo dados oficiais de mercado.
Esses empreendimentos contam com patrocínios robustos, estrutura corporativa e ingressos que custam de R$ 3.400 a R$ 6.000 por noite, garantindo um lucro compatível com cifras milionárias.
Já o camarote da esposa de Quaquá não possui o mesmo porte, tampouco apresenta transparência sobre receitas, custos e parcerias.
A pergunta que não quer calar
Se o próprio Quaquá reconhece que o camarote rendeu R$ 1 milhão, como justificar a compra de uma fazenda avaliada em R$ 20 milhões?
A incoerência nas versões apresentadas, somada ao silêncio diante dos questionamentos, aumenta o clima de desconfiança e expõe uma contradição gritante no discurso do vice-presidente nacional do PT.
Enquanto isso, fontes internas do próprio partido avaliam que o comportamento do prefeito e de sua esposa vem comprometendo a imagem do PT no estado e criando fissuras políticas difíceis de contornar.

Ecos de uma investigação em curso
Em conversa exclusiva com o jornalista Marcelo Cerqueira, que conduz uma apuração minuciosa sobre os bens do casal do Executivo maricaense, o repórter revelou estar acompanhando movimentações financeiras e aquisições de imóveis que ultrapassam os limites do município incluindo propriedades milionárias no
Recanto de Itaipuaçu, outras no exterior, e negócios ainda sob apuração em parceria com uma entidade internacional que colabora no rastreamento das informações.
Segundo Cerqueira, há uma reunião sendo articulada com a Receita Federal, a pedido de parlamentares da própria sigla, que veem no prefeito de Maricá um problema político e ético crescente.
Nos bastidores, muitos já o chamam de “o sheik do PT”, expressão que simboliza o poder e o enriquecimento meteórico que hoje cercam seu nome.
“O paralelo com Eliot Ness e os “Intocáveis”
Marcelo Cerqueira compara o trabalho que executa hoje ao enfrentamento histórico liderado pelo agente Eliot Ness, o homem do Tesouro americano que desmantelou o império do mafioso Al Capone nos anos 1930.

Segundo o jornalista, a dificuldade é semelhante: combater um sistema onde a influência política e o medo silenciam, onde a corrupção infiltra-se nas instituições e onde os “intocáveis” tentam acabar com a blindagem feita pôr autoridades corruptas quê dificulta as investigação.
“Usei o mesmo canal que Eliot Ness utilizou contra o crime organizado. Espero que este setor não esteja contaminado pelas forças do mal. Se tudo correr como deve, Maricá vai se libertar dessa possessão que hoje sufoca seu povo.
Agradeço a todos que, de forma silenciosa, vêm me ajudando a cumprir a missão dada pelo Juiz Maior”, declarou Cerqueira, em tom firme, porém reservado.
O desfecho que se aproxima
O que começou como uma polêmica de bastidores ganha contornos de investigação internacional.

As declarações de Quaquá sobre o lucro do camarote e a origem dos recursos da fazenda se tornaram peças centrais de um quebra-cabeça político e financeiro que, a cada nova revelação, ameaça ruir a narrativa de sucesso construída pelo casal.
Assim como na caçada de Eliot Ness a Al Capone, o silêncio dos poderosos pode ser o maior indício de culpa.
E, em Maricá, a sensação é de que o cerco está apenas começando.