Acordo Mercosul-UE e Importações Aumentam Pressão sobre Laticínios Brasileiros: Queijos de Valor Agregado em Risco

Indústria de Laticínios Brasileira Sob Fogo Cruzado

A indústria brasileira de laticínios vive um momento de apreensão. O aumento das importações, especialmente de países do Mercosul, já representa cerca de 8% do mercado nacional e impacta diretamente os preços recebidos por produtores e indústrias. A situação se agrava com a confirmação de práticas de dumping em importações de leite em pó da Argentina e Uruguai, uma questão que, segundo Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, tem prejudicado a rentabilidade do produtor brasileiro, mesmo que evite o aumento de preços para o consumidor final.

Acordo com a UE: Um Novo Desafio para Queijos Premium

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em processo de implementação desde maio, adiciona uma nova camada de preocupação. A redução gradual das tarifas de importação para laticínios europeus, que para queijos duros cairá de 28% para zero em dez anos, pode intensificar a concorrência. Sartor alerta que, embora o prazo pareça longo, o planejamento de investimentos de longo prazo para a indústria se torna mais complexo. Empresas que investem em plantas industriais precisam considerar esse horizonte, que para a consolidação de um projeto pode representar um período significativo.

Competitividade Ameaçada em Segmentos de Valor Agregado

A principal preocupação da RAR Agro & Indústria, especializada em produtos de maior valor agregado como queijo tipo grana, manteigas especiais e cremes de leite, reside justamente nesses segmentos. A produção europeia em larga escala, aliada a subsídios governamentais, cria uma disparidade competitiva. Sartor estima que o custo do produto europeu, após a retirada das tarifas, pode ser até 20% inferior ao custo de produção nacional. Isso afeta diretamente a competitividade de queijos especiais e outros derivados, onde a Europa possui tradição, escala e forte apoio governamental.

Estratégia de Sobrevivência: Diferenciação e Eficiência

Diante deste cenário desafiador, a estratégia da RAR Agro & Indústria é clara: focar em produtos diferenciados e em consumidores que valorizam qualidade, origem e processos produtivos rigorosos. A empresa tem reduzido investimentos em novos projetos no setor de laticínios, priorizando a manutenção da estrutura existente e a busca por maior eficiência operacional. A expectativa é que os setores de laticínios e vinhos sejam os mais impactados pela abertura comercial promovida pelo acordo, exigindo adaptação e inovação para a indústria brasileira.