Facções expulsam famílias, Estado perde território e o poder paralelo avança no Ceará

Em uma vila da cidade de Pacatuba (Região Metropolitana de Fortaleza), cerca de 30 famílias abandonaram suas casas com móveis, fugindo sob ameaça de facções que tomaram o controle do bairro de Jacarezal.

A cena retrata um Estado de direito que perdeu sua força.

A disputa entre os grupos Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), após o enfraquecimento da Guardiões do Estado (GDE) na região, resultou em pichação de casas, tiroteios, execução de moradores e o abandono completo da comunidade.

A tragédia revela um governo estadual que se apresenta com discurso de segurança mas na prática permite que “territórios fantasmas” se formem sob domínio do crime.

O governador Elmano de Freitas (PT) mostra o grau de fragilidade da segurança no estado: moradores presos pelo medo, deslocados de suas casas, obrigados a fugir para salvar vidas.

A situação é também reflexo de uma conjunção de fatores que enfraqueceram a capacidade do Estado de responder ao crime organizado:

Políticas de segurança estadual com resultados questionáveis.

Medidas recentes do Supremo Tribunal Federal que, segundo especialistas, reduziram o poder de atuação das polícias estaduais em algumas hipóteses, gerando barreiras à repressão eficaz.

Recursos limitados e estrutura de segurança que não acompanham a expansão do domínio das facções em áreas estratégicas de rota de tráfico.

O episódio em Pacatuba deve servir de alerta: se no Ceará famí­lias deixam casas intactas e ruas inteiras ficam desertas sob o domínio do crime, o que impede que esse quadro se repita em outros estados, com menor visibilidade ou cobertura jornalística?

Governadores de diferentes regiões já iniciaram movimentos de articulação para recuperar o controle dos territórios dominados pelo chamado “poder paralelo”.

O discurso é de resgatar o Estado de direito, antes que a legalidade seja totalmente atropelada pela criminalidade.

À população de outras unidades da Federação, o recado é claro: não espere que o Estado por si só resolva o problema.

Organize-se, cobre representatividade real, exija presença constante das forças de segurança, participe de conselhos comunitários de segurança, mantenha canais de denúncia abertos pois quando o crime organiza-se para expulsar famílias, o primeiro passo para a perda da cidade inteira já está dado.