Crise no Legislativo: confronto entre Hadesh e Aldair expõe disputa pelo controle político da Câmara de Maricá…

A sessão da Câmara Municipal de Maricá, realizada nesta terça-feira (11), foi marcada por um intenso embate entre o presidente da Casa, vereador Aldair de Linda (PT), e o líder do governo, vereador Hadesh (PT).

O bate-boca revelou muito mais do que uma divergência pontual mostrou um embate pelo controle político do Legislativo e a crescente influência do prefeito Washington Quaquá sobre os rumos da cidade.

Nos bastidores, Hadesh é considerado apadrinhado político de Quaquá, que o prepara desde jovem para atuar como um dos seus braços de confiança.

Segundo relatos, o atual prefeito utilizava encontros com grupos de jovens para difundir ideais e formar lideranças afinadas com seu projeto de poder e Hadesh é um produto direto desse movimento.

Hoje, com forte apoio do Executivo, o vereador atua como “coringa do prefeito” dentro da Câmara. Fontes internas relatam que Quaquá tem trabalhado para esvaziar politicamente o presidente Aldair, retirando espaços e reduzindo sua influência.

Em paralelo, busca pavimentar o caminho para que Hadesh assuma futuramente a presidência da Casa, o que consolidaria a dominação do Executivo sobre o Legislativo transformando Quaquá, na prática, no líder dos dois poderes.

Mesmo assim, Aldair de Linda mantém-se leal ao partido e à gestão, mesmo discordando de decisões controversas.

Sua imagem segue forte nas comunidades, onde é reconhecido pelo diálogo e pela postura firme qualidades que, no passado, também consagraram o próprio Quaquá, mas que hoje parecem ofuscadas por uma condução centralizadora e pela crescente rejeição popular à administração atual.

Durante a sessão, a tensão atingiu o auge quando Aldair denunciou a tentativa de Hadesh de usar verba pública para viajar a Cuba sem justificativa funcional. No plenário, o presidente afirmou:

“Se o senhor quer viajar pra Cuba e quer que a Câmara pague, o senhor vai pra Cuba. Toda vez que eu viajo pra fora do país, eu pago do meu bolso.”

E reforçou:

“O dinheiro da Câmara não é meu, mas não é seu pra passear. Eu tô há oito anos nessa Casa, e minhas contas nunca foram reprovadas. Eu não aprovo o vereador ir pra Cuba passear com o dinheiro público.”

A declaração foi interpretada como uma defesa direta do uso ético do dinheiro público, em contraste com o que classificou como privilégios indevidos. O episódio escancarou a crise institucional e os bastidores de uma disputa política em que o poder, o ego e o controle parecem falar mais alto que o interesse coletivo.

Hoje, Maricá revive um cenário semelhante ao passado, quando elites tentavam controlar a cidade pela força do dinheiro.

Naquela época, Quaquá e seu grupo se diziam defensores do povo contra os coronéis. Agora, muitos veem ironia na inversão dos papéis: o prefeito tornou-se o próprio símbolo daquilo que combateu.

O tempo mostrará se o povo de Maricá permitirá novamente que o poder se concentre em poucas mãos ou se buscará o resgate da cidade para os seus verdadeiros donos: os cidadãos .