O que se prometia como tsunami virou apenas marola. Dentro de campo, o Maricá foi dominado e levou um chocolate do Sampaio Corrêa. Fora dele, o cenário é ainda mais preocupante.
O resultado não cai do céu. Ele é construído, treino após treino, escolha após escolha, erro após erro.
O elenco apresentado é frágil, limitado e sem identidade. Um grupo que não consegue competir em nível mínimo, exposto jogo após jogo, refletindo um trabalho pobre da comissão técnica.
Falta padrão, falta leitura de jogo, falta reação. Quando um time entra em campo sem saber quem é, a derrota deixa de ser acidente e passa a ser consequência.
O problema, porém, não começa no gramado. Ele nasce na forma como o clube é conduzido. O Maricá se transformou num verdadeiro “CLUBE DO BOLINHA”, fechado, pouco transparente e avesso à própria base.
A prata da casa é sistematicamente ignorada. Profissionais da cidade assistem de fora enquanto nomes sem vínculo algum com Maricá acumulam oportunidades.
O caso de Márcio Parreira é simbólico.
Técnico campeão, filho da terra, conhecedor da realidade local, jamais teve espaço real no clube. Não por falta de competência, mas por uma opção política e administrativa clara.
O clube comandado por Quaquá demonstra, na prática, identificar-se mais com gente de fora do que com os próprios moradores da cidade. Quando você nega identidade a um time, nega também alma e competitividade.
O placar elástico contra o Sampaio Corrêa apenas escancarou o que já vinha sendo avisado. Não foi um tropeço isolado. Foi mais uma derrota vergonhosa dentro de um roteiro previsível. Um clube desorganizado, mal gerido e desconectado da cidade tende a afundar, mesmo com recursos.
E o padrão se repete fora do futebol.
Se o clube afunda na lama da desorganização, a escola de samba ligada ao mesmo projeto político não parece muito distante do mesmo destino. Segundo informações que circulam nos bastidores, foliões estariam sendo buscados fora da cidade para completar alas na Marquês de Sapucaí. Um morador de São Gonçalo chegou a gravar um vídeo relatando o convite para desfilar em Maricá. O sinal é grave.
Quando uma escola precisa recorrer a foliões de fora, algo está profundamente errado. Ou perdeu o vínculo com sua comunidade, ou virou apenas vitrine de vaidade. E, pelo que se comenta, mais uma vez o dinheiro público entra na roda. Fala-se em cifras milionárias, algo em torno de 8 milhões, usadas sem critério claro. Como o recurso não sai do bolso de quem decide, apostas absurdas são tratadas como caprichos pessoais.
No fim, futebol e samba se encontram no mesmo ponto: projetos que deveriam fortalecer identidade, pertencimento e orgulho local acabam servindo para vender ilusões. Para quem nunca jogou bola nem viveu o chão de uma quadra ou de um barracão, talvez o espetáculo superficial baste. Para a cidade, não.
O resultado está aí. Um time sem alma, uma escola desconectada da comunidade e uma população que começa a perceber que o problema não é azar. É método. E método errado cobra seu preço.