MARICÁ SOB ALERTA: TCE AGE, DENÚNCIAS SE ACUMULAM E MP, GAECO E PF SEGUEM EM SILÊNCIO..

Enquanto prefeito está na Europa com licença oficial, hospital enfrenta superlotação e contratos milionários são questionados.

Enquanto a Polícia Federal cumpre 42 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal para investigar desvios milionários em contratos públicos, Maricá vive um contraste inquietante: as denúncias se acumulam, os valores crescem, mas nenhuma operação é deflagrada no município.

A ação da PF, que apura o direcionamento de emendas parlamentares para contratos com empresa ligada a familiares de autoridades em Pernambuco, revelou um modelo já conhecido no país: falhas recorrentes em processos licitatórios, concentração de recursos públicos e vínculos políticos envolvendo cifras milionárias. Um roteiro que, em outras regiões do país, já resultou em investigações criminais, bloqueio de bens e responsabilizações.

É justamente esse padrão que vem sendo apontado por vereadores, deputados e jornalistas em Maricá.

Hoje pela manhã, o jornalista Marcelo Cerqueira, do Jornal Na Pauta, esteve em frente à sede do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro para agradecer publicamente a atuação do órgão. No vídeo, ele afirma que o TCE tem sido, até o momento, o único ente institucional que efetivamente atua para impedir que centenas de milhões de reais avancem em processos considerados irregulares no município.

O Tribunal já suspendeu ou questionou sucessivas licitações, incluindo um edital estimado em R$ 370 milhões. Relatórios técnicos apontaram falhas que afetam a competitividade, dificultam o rastreamento das despesas e comprometem o controle da execução contratual.

Ainda no vídeo gravado hoje pela manhã em frente ao TCE, Marcelo Cerqueira afirmou que a compra de um sítio realizada pela Codemar teria ocorrido com valor superfaturado, segundo avaliação apresentada por ele.

O jornalista também questiona o fato de o imóvel estar localizado fora do território de Maricá e a ausência de procedimento licitatório, informando que levará o caso aos órgãos competentes.

Além disso, o vereador Ricardinho questiona outras compras de propriedades rurais realizadas pela Codemar, apontando valores considerados incompatíveis com o mercado. Já o deputado Poubel apresentou representação envolvendo outro processo licitatório milionário, alegando possível direcionamento para empresa específica.

Enquanto isso, o prefeito de Maricá cumpre agenda internacional na Europa, após afastamento temporário autorizado pela Câmara Municipal.

Durante esse período, a cidade enfrenta superlotação na emergência do hospital municipal e segue sob forte pressão em razão de contratos e licitações de valores expressivos que vêm sendo questionados e, em alguns casos, barrados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

Até o momento, não há notícia de ações do Ministério Público, do GAECO ou da Polícia Federal em Maricá diante do conjunto de denúncias apresentadas por parlamentares e jornalistas.

Em Maricá, o Tribunal de Contas barra.
A imprensa denuncia.
Parlamentares questionam.

O silêncio institucional, por ora, permanece.

A Prefeitura de Maricá pode se manifestar sobre todos os pontos levantados.