Operação ‘Pecunia Obscura’ desmantela esquema de R$ 322 milhões e prende 3 suspeitos ligados ao ‘Faraó dos Bitcoins’

Fraude milionária contra fintechs desvendada no RJ e MA

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público (MPRJ), deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Pecunia Obscura, visando desarticular um esquema criminoso que desviou R$ 322 milhões ao longo de cinco anos. A operação, que cumpre mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Maranhão, já registrou a prisão de três suspeitos. O grupo é acusado de aplicar golpes em fintechs, utilizando documentos falsos e lavando o dinheiro através de empresas de fachada.

Ligação com o ‘Faraó dos Bitcoins’ e movimentação ilícita

As investigações revelaram que o bando chegou a negociar com o grupo de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o ‘Faraó dos Bitcoins’. Embora Glaidson não seja alvo direto desta operação, a conexão levanta suspeitas sobre a amplitude do esquema. O inquérito apura crimes como organização criminosa, estelionato, falsificação e uso de documento falso, além de lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o sequestro de bens, móveis e imóveis, além do bloqueio de R$ 150 milhões para ressarcir as vítimas.

Modus Operandi: falhas sistêmicas e lavagem complexa

O esquema criminoso explorava falhas em sistemas de fintechs e plataformas de pagamento. Uma única empresa de tecnologia financeira lesada identificou a abertura de, pelo menos, 238 contas digitais com documentos falsos. A análise financeira, com auxílio do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf), mostrou a movimentação de vultosos valores. Para ocultar o dinheiro, o grupo utilizava criptoativos, simulação de compra e venda de veículos, aquisição de imóveis e empresas de fachada, enviando parte dos valores para o exterior via plataformas de criptomoedas para dificultar o rastreamento.

Mandados e alvos da operação

Ao todo, foram expedidos 4 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão. As equipes atuaram em diversas localidades do Rio de Janeiro, como Armação dos Búzios, Saquarema, Araruama, capital (zonas Sudoeste e Norte), Niterói e São Gonçalo. No Maranhão, a ação foi integrada com a Polícia Civil local. Entre os alvos, Alex Maylon Passinho Dominici, Celis de Castro Medeiros Júnior e Yago de Araujo Silva foram presos, enquanto Saulo Zanibone de Paiva segue foragido. O MPRJ já denunciou 11 pessoas envolvidas no esquema.