Política · Exclusivo
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, fez um longo relato público de traições políticas e mencionou movimentações envolvendo a Polícia Federal. Quem leu com atenção, porém, percebeu o que ficou de fora e por que isso importa.
13 de abril de 2026
Maricá, RJ
A frase que ninguém deixou passar
“Estamos sabendo também das movimentações do vice que ele indicou na campanha imprensa, Polícia Federal etc. contra mim, inclusive oferecendo o que acumularam para me prejudicar.”

Washington Quaquá, em postagem pública nas redes sociais
O prefeito não detalhou o conteúdo das alegações nem apresentou provas públicas até o momento. O que teria sido “oferecido”? Informações? Documentos? A publicação não esclarece e a pergunta ficou no ar.
Os acordos que não foram cumpridos
No mesmo relato, segundo publicação feita em suas redes sociais, Quaquá descreve uma sequência de compromissos políticos que, de acordo com sua versão, teriam sido quebrados dentro do grupo liderado pelo ex-prefeito Fabiano Horta.
Entre os pontos citados, estão a indicação de nomes para cargos estratégicos, a disputa por espaços dentro da estrutura de governo e a decisão de lançar candidaturas sem comunicação prévia. Em fevereiro deste ano, o prefeito já havia dado sinais públicos de desgaste político ao exonerar mais de 20 comissionados ligados ao vice-prefeito.
A guerra política e o nome que não aparece
Nas postagens mais recentes, Quaquá direciona críticas a adversários políticos, menciona articulações envolvendo imprensa e cita a Polícia Federal.
Um nome, porém, não aparece em nenhum momento: Renato Machado deputado estadual pelo PT, ex-secretário de Governo e ex-presidente da Somar.

O silêncio chama atenção quando comparado a postagens anteriores do próprio Quaquá. Em 2021 e 2022, o prefeito mencionou publicamente o nome de Renato Machado ao comentar disputas políticas locais e o contexto de violência contra jornalistas em Maricá.
Em uma dessas publicações, afirmou:
“Lei Seca não era de Renato Machado, ou melhor, de amigos dele? (…) Mas em Maricá andaram matando jornalistas!”

As declarações foram feitas em redes sociais, sem apresentação de provas à época.
Já em 2026, ao afirmar que decidiu “contar a verdade” e mencionar inclusive a Polícia Federal, o nome deixa de aparecer.
A mudança de postura levanta questionamentos sobre o que teria mudado no cenário político local.
O que os registros públicos mostram
Segundo registros públicos e investigações conduzidas pelo Ministério Público, dois casos marcaram a história recente de Maricá.
Em maio de 2019, o jornalista Robson Giorno foi assassinado a tiros na porta de sua casa. Em junho do mesmo ano, o também jornalista Romário Barros foi morto a tiros quando chegava em casa.

Em julho de 2024, o Ministério Público apresentou denúncia formal apontando Renato Machado como mandante do assassinato de Robson Giorno. O caso segue em tramitação na Justiça, sem decisão definitiva até o momento.
Por meio de sua defesa, o deputado nega qualquer envolvimento no crime e contesta as acusações, afirmando que a denúncia se baseia em depoimentos que considera frágeis.
Não há, até o momento, condenação definitiva transitada em julgado relacionada aos fatos citados.
A pergunta que segue sem resposta
Em postagens anteriores, Quaquá mencionou diretamente nomes e fez associações públicas ao comentar disputas políticas locais.

Em 2026, ao declarar que decidiu “contar a verdade” e citar movimentações envolvendo a Polícia Federal, opta por não mencionar um dos personagens mais presentes em seus discursos anteriores.
O que mudou entre as declarações passadas e o silêncio atual é uma pergunta que permanece em aberto.
O cenário político
Com as eleições se aproximando, o cenário político de Maricá se mostra cada vez mais fragmentado.
Nomes ligados ao mesmo grupo político passam a disputar espaços e protagonismo, enquanto divergências que antes circulavam nos bastidores ganham exposição pública.
A declaração de Quaquá indica que a disputa interna pode ter ultrapassado o campo estratégico e entrado em uma fase de confronto direto.
Nota de redação
Esta reportagem é baseada em postagens públicas de Washington Quaquá nas redes sociais, em registros documentados da imprensa e em informações constantes em procedimentos públicos do Ministério Público.
Não há, até o momento, condenação definitiva transitada em julgado relacionada aos fatos mencionados. Todas as pessoas citadas são consideradas inocentes até decisão judicial final.
A redação buscou posicionamento dos citados e mantém o espaço aberto para manifestações.