ESCÂNDALO NA SAÚDE DE MARICÁ: TRABALHADORES RELATAM DRAMA APÓS INVESTIGAÇÃO SOBRE ORGANIZAÇÃO QUE ATUOU NA REDE MUNICIPAL…

Maricá, 14 de abril de 2026 — Por Carlos Eduardo González, “O Cubano” | TVC

Ela é enfermeira. Mãe, pai e avó ao mesmo tempo. Sustenta filha e dois netos. Não consegue dormir, deita às 3 da manhã, acorda às 5h30.

O banco liga todos os dias até as 18 horas cobrando uma dívida que ela afirma já ter sido descontada do seu contracheque. O empréstimo foi debitado, segundo seu relato, mas não teria sido repassado à instituição financeira. O nome dela foi parar em cadastros de inadimplência por uma dívida que ela diz não reconhecer como devida.

Essa enfermeira é um dos rostos humanos de uma crise que envolve a atuação da Associação Mahatma Gandhi, organização social que administrava unidades de saúde em Maricá e foi contratada pela prefeitura.

A OPERAÇÃO

Em agosto de 2025, o Ministério Público, por meio do GAECO, e a Polícia Federal deflagraram a Operação “Duas Caras”, que investiga a Associação Mahatma Gandhi por suspeitas de irregularidades na gestão de recursos públicos. Os valores sob apuração podem alcançar cifras bilionárias, segundo informações divulgadas pelos órgãos responsáveis.

De acordo com as investigações, há indícios de utilização da estrutura da organização social para gestão de contratos e recursos públicos que estão sendo analisados pelas autoridades competentes. O caso segue em apuração.

O IMPACTO NOS TRABALHADORES

Enquanto as investigações avançam, trabalhadores relatam dificuldades que atingem diretamente suas vidas.

Segundo relatos colhidos pela reportagem:

  • empréstimos consignados teriam sido descontados dos salários sem repasse aos bancos
  • ausência de pagamento de rescisões trabalhistas
  • falta de regularização de vínculos empregatícios

Há ainda profissionais que afirmam continuar atuando nas unidades de saúde sem formalização contratual, recebendo por plantões, sem garantias trabalhistas.

“A gente pergunta, ninguém sabe de nada. A gente vai na secretaria, vai no setor administrativo, ninguém esclarece. Só pedem para esperar. E as contas não esperam.”

MARICÁ: QUEM PAGA A CONTA

Enquanto dirigentes da organização são alvo de investigação, trabalhadores da saúde relatam que ficaram com prejuízos financeiros, dívidas e insegurança quanto ao futuro.

Os relatos indicam impactos que vão além da esfera profissional, atingindo diretamente a vida familiar e a saúde emocional desses profissionais.

PREFEITURA E AS PERGUNTAS SEM RESPOSTA

Segundo relatos de trabalhadores ouvidos pela reportagem e informações públicas disponíveis, permanecem dúvidas sobre a condução do caso.

Quando a operação foi deflagrada em agosto de 2025, a Prefeitura de Maricá emitiu nota afirmando estar atenta às diligências e garantindo que apoiava as ações do Ministério Público e da Justiça.

No entanto, segundo relatos de trabalhadores ouvidos pela reportagem, ao procurar respostas na Secretaria de Saúde e no setor administrativo da prefeitura, recebem sempre a mesma orientação: esperar.

Questões fundamentais seguem sem resposta por parte da gestão municipal, de acordo com os relatos colhidos pela TV Copacabana:

  • como a Prefeitura de Maricá fiscalizou o contrato com a Associação Mahatma Gandhi?
  • quais medidas foram tomadas para proteger os trabalhadores após a intervenção judicial na entidade?
  • quando serão regularizadas as situações trabalhistas dos funcionários afetados?

“Fazem eleição, todo mundo vem, todo mundo aperta a mão. E agora a gente precisa receber os nossos direitos. Não querem pagar.”

ENTRE PROJETOS E REALIDADE

Enquanto trabalhadores relatam dificuldades no presente, a gestão municipal segue anunciando novos projetos e iniciativas para a cidade.

A diferença entre o planejamento apresentado e a realidade vivida por parte dos profissionais da saúde tem sido apontada como um dos pontos de maior tensão no cenário local.

NOTA DE REDAÇÃO

Esta reportagem é baseada em relatos de trabalhadores, documentos públicos e informações divulgadas por órgãos oficiais de investigação.

As apurações citadas encontram-se em andamento e não há, até o momento, decisão judicial definitiva sobre os fatos mencionados.

Todas as partes citadas têm espaço aberto para manifestação.