Denúncia e vídeo expõem situação de vulnerabilidade
Um homem de 56 anos, identificado como Marcos de Souza Fidelis, foi encontrado morto carbonizado em sua residência no bairro Parque Rosário, em Campos dos Goytacazes (RJ). A tragédia ocorreu nove dias após um vídeo divulgado nas redes sociais mostrar Fidelis deitado em um colchonete, com dificuldades de locomoção e visivelmente necessitando de ajuda. O vídeo, gravado por um conhecido que buscava denunciar o abandono e a precariedade em que o homem vivia, chamou a atenção para a sua situação de vulnerabilidade.
Samu é acionado, mas não realiza encaminhamento médico
Segundo o autor do vídeo, Sérgio, após a gravação das imagens no dia 6 de abril, ele acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Uma equipe do órgão esteve no local, mas, de acordo com Sérgio, não houve o encaminhamento de Marcos para atendimento médico. “Eles estiveram no local com a ambulância, olharam o caso, e o Samu falou que não poderia fazer nada. Foi totalmente omisso com a situação”, relatou Sérgio, que se disse chocado com a falta de ação e esperava mais humanidade dos socorristas.
Investigação policial aponta para acidente
A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado e aguarda o laudo da perícia. A principal linha de investigação aponta para um acidente, com a suspeita inicial dos moradores de que o colchonete onde Marcos dormia tenha sido atingido por uma vela acesa, que ele utilizava para iluminação, já que o imóvel não possuía energia elétrica. A polícia ressaltou que, até o momento, não há registro formal de abandono familiar ou de vulnerabilidade, e que a esposa da vítima prestou depoimento e também não relatou tal situação.
Secretaria de Assistência Social lamenta e orienta sobre denúncias
A Secretaria Municipal de Assistência Social de Campos lamentou a morte de Marcos de Souza Fidelis e afirmou que não havia recebido notificações prévias sobre a situação de abandono. O órgão orienta que denúncias de vulnerabilidade social sejam feitas através do Disque 100 ou pelo telefone (22) 98175-0700, da Subsecretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos. A Prefeitura de Campos, em nota sobre o Samu, declarou que o serviço atua em urgências e emergências, e que, quando a demanda não se enquadra nesse perfil, os solicitantes são orientados a procurar outros órgãos competentes.
Vizinhos prestavam auxílio, mas não conseguiram evitar a tragédia
Moradores do bairro relataram que ajudavam Marcos diariamente com alimentos, pois ele vivia sozinho na casa herdada e, após sofrer um AVC há cerca de cinco anos, passou a ter dificuldades de locomoção. Dormia em um colchão no chão e usava velas para se iluminar. Vizinhos afirmaram que já haviam feito denúncias sobre as condições em que o homem vivia e que, na tarde anterior à descoberta do corpo, sentiram cheiro de queimado, mas não conseguiram identificar a origem. Na manhã seguinte, um vizinho encontrou o corpo de Marcos já carbonizado.