Em uma ascensão meteórica, Abelardo de la Espriella, 47 anos, transformou-se de um advogado midiático e polêmico em um candidato presidencial com chances reais de vitória na Colômbia. Capitalizando a frustração com os partidos tradicionais e adotando uma postura de “outsider”, ele se consolidou como o principal nome da ultradireita e o antagonista direto do candidato governista de esquerda, Iván Cepeda.
Do Escritório de Advocacia à Arena Política: A Trajetória do “Tigre”
Formado em Direito pela Universidade Sergio Arboleda e fundador do escritório De la Espriella Lawyers em 2002, Abelardo de la Espriella construiu uma carreira defendendo figuras controversas, como Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro, e David Murcia Guzmán, condenado por lavagem de dinheiro. Sua atuação, no entanto, também incluiu a defesa de vítimas de violência de gênero, impulsionando leis importantes no país. Essa dualidade profissional, combinada com uma imagem de empresário bem-sucedido, amante da alta cultura e com um estilo de vida cosmopolita, moldou sua persona pública.
Discurso de Autoridade e Polarização como Estratégia
A mensagem central de De la Espriella é clara: impor autoridade. Seu discurso é estruturado para conquistar o eleitorado conservador e antagonizar o governo atual. Ele se apresenta como o “Tigre”, um líder carismático, firme e provocador, que promete combater o comunismo e interromper a continuidade do projeto político do presidente Gustavo Petro. Sua estratégia é a polarização, posicionando-se como o extremo oposto para contrapor o outro lado. A campanha, marcada por muito espetáculo e declarações categóricas, tem ressonância com a busca por ordem e segurança em um país que ele descreve como vivendo uma “pandemia de insegurança”.
Propostas e Alinhamentos: Segurança, Família e Relações Internacionais
A segurança é o tema central da campanha de De la Espriella. Ele propõe a reativação da fumigação aérea contra plantações ilícitas, o uso ostensivo das Forças Armadas contra grupos criminosos, a renovação de alianças militares estratégicas com EUA e Israel, e um “Plano Colômbia 2.0” para combater o fentanil. Economicamente, defende a redução da carga tributária e novos contratos de exploração de petróleo, contrastando com as políticas de Petro. Em pautas sociais, posiciona-se contra o aborto e como defensor da “família tradicional”, embora afirme respeitar a jurisprudência sobre direitos. Ele também defende uma relação mais estreita com os Estados Unidos para o combate conjunto às drogas e se opõe a manter relações diplomáticas com o governo venezuelano atual.
O “Outsider” que Eclipsou a Direita Tradicional
De la Espriella nunca ocupou um cargo público, e essa falta de vínculos com o establishment é usada como prova de sua condição de “verdadeiro outsider”. Sua entrada na política se deu com o lançamento do movimento Defensores da Pátria em julho de 2025, impulsionada por uma onda de assinaturas. Sua ascensão foi facilitada pela fragmentação da direita colombiana, eclipsando candidaturas como a de Paloma Valencia, do Centro Democrático. O apoio de grupos conservadores como o Movimento de Salvação Nacional e o Creemos, liderado por Federico “Fico” Gutiérrez, solidificou sua posição. Mesmo sem um apoio explícito e formal de Álvaro Uribe, a expectativa é que seus apoiadores se voltem para De la Espriella em um eventual segundo turno contra Cepeda.
Controvérsias e Ações Judiciais: O Preço da Visibilidade
A carreira de De la Espriella é marcada por controvérsias, incluindo ações judiciais contra jornalistas. A Fundação para a Liberdade de Imprensa e a Associação Interamericana de Imprensa criticaram o que consideram um padrão de pressão judicial para induzir à autocensura. Além disso, o candidato enfrentou acusações de sexismo e atitudes condescendentes em relação a jornalistas mulheres. Apesar das polêmicas, que incluem comentários de cunho sexual em uma entrevista, De la Espriella parece ter capitalizado a atenção, seguindo o ditado de que “não existe publicidade ruim”. Sua marca registrada é a combinação de autoridade e espetáculo, elementos que parecem ressoar com uma parcela significativa do eleitorado colombiano.