Trump critica Netanyahu e revela tensão em ligação
O ex-presidente Donald Trump confirmou ter chamado o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de “louco” durante uma conversa tensa. Trump expressou incômodo com os ataques israelenses no Líbano e preocupação com os planos de Israel para a região. A declaração foi feita em entrevista a um podcast nos Estados Unidos, onde Trump admitiu estar “muito incomodado” e “perturbado” com a situação.
Guerra no Oriente Médio e o impasse libanês
O conflito, que já ultrapassa 96 dias, tem sido marcado por tentativas frustradas de acordo e cessar-fogo. A ofensiva israelense no Líbano é apontada como um dos principais entraves para o encerramento do conflito. Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard, avalia que Netanyahu estaria “literalmente transgredindo” o entendimento regional.
Acordo com o Irã e a condição libanesa
Segundo Kalout, um acordo entre americanos e iranianos está “praticamente concluído em todos os seus aspectos”, com a questão do Líbano sendo o ponto crucial pendente. “Os iranianos insistem que dentro do acordo o Líbano precisa ser aglutinado”, afirmou o especialista. O Irã condiciona o avanço das negociações à retirada israelense do território libanês, o que Netanyahu, por outro lado, “não quer paralisar e quer expandir” as operações, complicando os planos de Trump.
Interesses eleitorais de Trump em jogo
Para Kalout, o acordo é fundamental para Trump por razões eleitorais. “O Trump sabe que fracassou na guerra. No entanto, ele precisa de um acordo, e nesse acordo ele precisa comercializá-lo como vitória para o mundo”, explicou o especialista. A conclusão bem-sucedida de um acordo poderia beneficiar o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato. Os iranianos, por sua vez, demonstraram flexibilidade, possivelmente em resposta a concessões econômicas americanas, como o levantamento de sanções e a liberação de recursos.
Pressão republicana e a influência de Israel
Apesar de possíveis distanciamentos, Kalout não vê os republicanos se afastando de Trump neste momento, considerando-o o “principal contendor eleitoral republicano”. O especialista destacou que parte dos republicanos estaria sob pressão de Israel para que Trump não faça concessões ao Irã e não pressione Netanyahu a recuar no Líbano, o que ele considera “o ponto-chave dessa pressão”.