Queda de 38,6% nas Adesões
As migrações de consumidores para o mercado livre de energia registraram uma desaceleração significativa no início de 2026. Entre janeiro e abril deste ano, 6.077 unidades consumidoras optaram por migrar para o ambiente de contratação livre, o que representa uma queda de 38,6% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 9.894 unidades realizaram a transição. O número também é inferior ao observado no primeiro quadrimestre de 2024, com 7.143 adesões.
Contexto da Abertura do Mercado
Essa desaceleração vem após dois anos de forte crescimento, impulsionado pela abertura completa do mercado para consumidores conectados à média e alta tensão, que desde janeiro de 2024 têm o direito de escolher seu fornecedor de energia. Essa mudança ampliou consideravelmente o universo de potenciais migrantes, incluindo não apenas grandes indústrias eletrointensivas, mas também estabelecimentos como shoppings, redes de farmácias e padarias.
Demanda Reprimida e Perspectivas Futuras
Gerusa Côrtes, diretora de Operações de Mercado da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), explica que a redução no ritmo de adesões era esperada após a expansão inicial. Segundo ela, havia uma demanda reprimida de consumidores buscando energia mais competitiva, o que se refletiu nos altos números de 2024 e 2025. Apesar da desaceleração atual, a CCEE não prevê um esgotamento do processo e mantém a expectativa de novas adesões ao longo de 2026.
Liderança de São Paulo nas Migrações
No primeiro quadrimestre de 2026, São Paulo liderou o ranking de migrações, com 1.601 novas unidades consumidoras aderindo ao mercado livre. Minas Gerais apareceu em segundo lugar, com 481 adesões, seguido por Santa Catarina, com 445. Atualmente, o mercado livre abrange cerca de 42% de todo o consumo de eletricidade no Brasil, permitindo aos consumidores negociar livremente preço, prazo e fonte de energia com seus fornecedores.