A TVC ALERTOU. O MP AGIU. A BATALHA QUE A IMPRENSA IGNOROU CHEGOU À 1ª INSTÂNCIA…

Por Ricardo Cantarelle/ TVC

Em 9 de junho de 2026, quando toda a imprensa do Rio de Janeiro celebrava o início das obras do Maraey como um capítulo encerrado, a TVC publicou o único contraponto jornalístico do estado: a decisão do STJ era processual, o mérito ambiental jamais havia sido julgado, e o Ministério Público do Rio de Janeiro seguia com ação civil pública em curso capaz de mover a Justiça a qualquer momento.

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Dias depois, o O Globo confirmou: o MPRJ solicitou à Justiça a suspensão das obras e das licenças ambientais do Maraey, alegando risco ao ecossistema da restinga de Maricá.

A TVC não errou uma palavra.

O que aconteceu

O Ministério Público do Rio de Janeiro formalizou pedido de tutela de urgência na primeira instância para paralisar as obras do complexo de R$ 11 bilhões e suspender as licenças ambientais que as sustentam.

O juiz não concedeu a liminar de imediato mas tampouco a negou. Determinou esclarecimentos aos réus, mantendo o processo vivo e a espada sobre o canteiro de obras.

É exatamente este o rito que a TVC descreveu em sua reportagem: a primeira instância como arena decisiva, o MPRJ como parte ativa, e o mérito ambiental nunca enfrentado pelo STJ como o nó que ainda precisa ser desatado pela Justiça.

O que o STJ decidiu e o que ele não decidiu

A decisão de agosto de 2025 que liberou as obras foi estritamente processual.

O ministro Afrânio Vilela foi explícito: o STJ não julgou se o Maraey é ou não compatível com a APA de Maricá. Disse apenas que aquele não era o processo adequado para isso.

O mérito a questão central foi remetido à primeira instância.

Foi para a primeira instância que o MPRJ foi. Agora.

O que a restinga tem a dizer

São 845 hectares entre a Praia da Barra de Maricá e a Lagoa de Maricá. Uma Área de Proteção Permanente nos termos da Lei Federal nº 12.651/2012.

Um ecossistema que o próprio STJ, em 2023, classificou como “raro e dos mais ameaçados do Brasil.”

Nessa mesma área vivem a Aldeia Guarani Mbya Mata Verde Bonita Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã e a comunidade pesqueira de Zacarias, presente naquele litoral há mais de duzentos anos.

Nenhuma dessas realidades desapareceu com o início das obras.

O registro que fica

A imprensa viu máquinas entrando e publicou festa. A TVC leu os autos, entendeu os limites da decisão do STJ e avisou ao leitor: isso ainda não acabou.

Não acabou.

O processo segue na 1ª instância. O MPRJ está em campo. O juiz pediu esclarecimentos. E a TVC continua acompanhando cada movimento nos tribunais, na restinga e nas comunidades que vivem naquele território.

A TVC foi o único veículo do Rio a alertar para esse risco antes do MPRJ agir. Você acompanhou nossa reportagem original? Compartilhe e mostre que jornalismo independente ainda faz diferença.