Colômbia em Votação: Saiba Tudo Sobre o Segundo Turno Presidencial e os Desafios do Novo Líder

Quem são os Candidatos e Suas Propostas?

Os colombianos vão às urnas neste domingo (21) para escolher seu próximo presidente em um segundo turno que polariza o país. De um lado, o advogado de direita Abelardo De La Espriella, que se apresentou como independente e capitalizou a frustração com os partidos tradicionais, obteve 43,7% dos votos no primeiro turno. Sua campanha se inspira em modelos como o de Nayib Bukele em El Salvador, com propostas de linha dura e uma abordagem tecnocrática para a economia. Apesar de sua postura de “outsider”, De La Espriella conta com o apoio de importantes grupos políticos e de figuras influentes. No entanto, ele é criticado por sua falta de experiência política e por ter defendido figuras controversas, além de ter demonstrado hostilidade contra jornalistas e sido acusado de misoginia.

Seu oponente é o senador de esquerda Iván Cepeda, de 63 anos, filho de um líder comunista assassinado. Cepeda, que obteve 40,9% dos votos no primeiro turno, foca sua plataforma na continuidade da “paz total” – o modelo de negociação do atual presidente Gustavo Petro com grupos criminosos –, na reconciliação nacional e na defesa dos direitos humanos. Ele propõe o fortalecimento da proteção contra a violência, reformas para reduzir a desigualdade e a pobreza, com aumento de impostos para os mais ricos, além de destinar terras a vítimas de conflitos e expandir o apoio a idosos, famílias pobres e jovens.

Como Funciona a Votação e o Que Está em Jogo?

As urnas abrem às 8h da manhã (horário local) e fecham às 16h (horário local), com mais de 41,2 milhões de colombianos habilitados a votar no país e no exterior. Será eleito o candidato que obtiver o maior número de votos. O vencedor tomará posse em 7 de agosto de 2026.

Independentemente de quem vença, o próximo presidente enfrentará um cenário desafiador. A economia colombiana, que cresceu 2,6% no ano passado, abaixo da média pré-pandemia, ainda luta para recuperar o dinamismo, com investimento privado fraco e setores de petróleo e mineração perdendo força. A dívida pública, em cerca de 60% do PIB, e as metas fiscais apertadas exigirão uma gestão cuidadosa. O novo líder também terá que lidar com a complexa questão da segurança. A expansão de grupos armados ilegais, que quase dobraram de tamanho entre 2022 e o primeiro semestre de 2026, e o controle territorial em áreas rurais, cruciais para o narcotráfico e a mineração ilegal, são desafios urgentes. Analistas alertam para um possível aumento de ataques por parte desses grupos para demonstrar força.

Gustavo Petro Reconhecerá o Resultado?

Um dos pontos de tensão nesta eleição é a possibilidade de não reconhecimento dos resultados. O presidente Gustavo Petro, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre os resultados do primeiro turno, fez acusações de suposta fraude e o aumento da desinformação nas redes sociais geram apreensão. Embora o candidato Iván Cepeda tenha inicialmente apoiado as declarações de Petro, ele posteriormente afirmou que não havia evidências de manipulação. Observadores internacionais e a Registradoria Nacional, órgão responsável pelas eleições, garantiram a transparência do processo e alertaram que os resultados deverão ser aceitos, com acompanhamento de observadores e representantes das campanhas.