Entendendo a Classificação do Autismo por Níveis de Suporte
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado em três níveis de suporte, uma categorização estabelecida pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado em 2013. Essa classificação visa delimitar a intensidade da necessidade de auxílio que indivíduos autistas requerem em suas atividades diárias. A psiquiatra Daniela Bordini, coordenadora do Ambulatório de Cognição Social da Unifesp, explicou que a lógica é diretamente proporcional: quanto maior o número do nível, maior a dependência do indivíduo.
Níveis de Suporte: Do Menos ao Mais Severo
Nível 3: Considerado o mais severo, abrange indivíduos com alta dependência. A maioria necessita de suporte contínuo, 24 horas por dia, e frequentemente apresenta dificuldades na comunicação verbal (são não verbais) e deficiência intelectual associada. Esses casos exigem intervenções mais intensivas e adaptações significativas no ambiente.
Nível 1: Representa o extremo menos severo. O apoio necessário é mais discreto, podendo incluir psicoterapia ou ajustes menos intrusivos no ambiente escolar ou de trabalho. Pessoas neste nível geralmente possuem maior preservação de suas funcionalidades e autonomia.
Nível 2: Engloba os casos intermediários, apresentando necessidades de suporte que se situam entre os níveis 1 e 3. A dependência é moderada, exigindo auxílio mais consistente em diversas áreas da vida.
Desafios na Vida Adulta de Pessoas Autistas
A psicóloga Tatiana Mecca, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, destacou as complexidades enfrentadas por adultos no espectro autista. Mesmo aqueles sem deficiência intelectual associada ou com habilidades cognitivas acima da média podem encontrar obstáculos significativos, especialmente em ambientes sociais que se desviam da rotina ou que são imprevisíveis, pois estes podem sobrecarregar o sistema sensorial.
No mercado de trabalho, as dificuldades podem surgir desde o processo seletivo até a permanência no emprego. Questões relacionadas a habilidades comunicativas e padrões de pensamento e comportamento mais rígidos podem representar barreiras. Em relacionamentos interpessoais, desafios na reciprocidade socioemocional, na percepção das próprias emoções e na comunicação de desconfortos também são comuns, impactando a dinâmica das interações em diferentes esferas da vida.