Tensões Recrudescem: Petroleiro é Atingido no Estreito de Ormuz e Acusações de Violação do Acordo de Paz Aumentam entre Washington e Teerã
Os Estados Unidos e o Irã estão novamente em rota de colisão, com uma série de ataques e acusações mútuas de violação do cessar-fogo. Este é o primeiro episódio de hostilidades diretas entre as duas potências desde a assinatura de um acordo de paz provisório em 17 de junho, que visava encerrar a guerra iniciada em fevereiro.
A escalada de tensões reacende preocupações sobre a estabilidade no Oriente Médio. Incidentes como o ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz e ofensivas aéreas em territórios disputados marcam um retrocesso nos esforços diplomáticos.
Ambos os lados se acusam de descumprir os termos do entendimento. As informações detalhadas sobre os recentes confrontos e as reações internacionais foram compiladas a partir de relatórios de diversas agências de notícias e fontes de segurança.
Escalada de Acusações e Incidentes Diretos
A troca de acusações se intensificou no sábado, 27 de junho, após ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos na noite de sexta-feira, 26, contra pontos da costa sul iraniana. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ação como uma “violação flagrante” do protocolo de acordo firmado com Washington.
Teerã declarou que “condena com firmeza os ataques aéreos efetuados pelo exército terrorista norte-americano”, ressaltando que a ofensiva contraria o parágrafo 1 do memorando de paz. Em resposta, o Irã afirmou que suas forças armadas realizaram ataques defensivos contra alvos ligados às forças dos EUA.
O conselheiro do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, reforçou a posição iraniana, afirmando que qualquer violação do acordo de paz terá uma resposta “rápida e decisiva”. Segundo Rezaei, os EUA violaram o memorando ao “criar tensões no Estreito de Ormuz”.
Em outro incidente crítico, um petroleiro foi atingido por um projétil não identificado no Estreito de Ormuz, conforme informou a Divisão de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) no sábado. A embarcação teve a ponte de comando danificada, mas a tripulação está segura e não há registro de danos ambientais até o momento.
Paralelamente, o Bahrein acusou o Irã de lançar um novo ataque com drones em seu território, sem especificar o alvo. O Bahrein, que abriga a 5ª Frota da Marinha dos EUA, destacou que “diversos drones iranianos” atacaram o país. O Irã não se manifestou imediatamente sobre essa acusação.
Fontes de segurança também relataram à Reuters que um drone explosivo atingiu um acampamento de um grupo de oposição curdo iraniano ao norte de Erbil, no Iraque, no sábado, sem vítimas imediatas.
Estreito de Ormuz: Ponto Crítico de Tensão
O Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica vital para o comércio mundial de hidrocarbonetos, tem sido um epicentro da escalada. Após os ataques, a mídia estatal iraniana informou que mais navios pediram autorização para cruzar o canal, depois que embarcações não autorizadas receberam tiros de advertência.
Omã e Irã anunciaram a formação de uma equipe para chegar a um acordo sobre a “gestão futura da navegação” no Estreito e estudarão os custos do serviço de cobrança para travessias. Essa iniciativa busca organizar o tráfego em meio às crescentes tensões.
Apesar dos conflitos, o Estreito de Ormuz registrou o tráfego mais intenso desde o início da guerra, com pelo menos 35 navios de carga atravessando a área na segunda-feira, 23 de junho. Esse volume, embora recorde para o período de conflito, ainda representa um terço do que era registrado em tempos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente.
O presidente sul-coreano Lee Jae Myung, em entrevista ao canal X na sexta-feira, 26, indicou que mais três embarcações devem deixar o Estreito de Ormuz neste fim de semana, sublinhando a movimentação contínua e a necessidade de segurança na rota.
Acordo de Paz Frágil e a Questão Nuclear Iraniana
O acordo de paz provisório, assinado em 17 de junho, concederia aos inspetores da agência nuclear da ONU acesso ao Irã. No entanto, o chefe da agência informou na sexta-feira, 26, que Teerã indicou que locais importantes permaneceriam inacessíveis até que um acordo final com Washington fosse alcançado e as sanções suspensas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Baghaei, afirmou que Teerã não tem planos de permitir que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) visitem instalações nucleares alvos de conflitos. Essa declaração adiciona complexidade ao cumprimento dos termos do acordo.
O Irã afirmou que está formando grupos de trabalho para tratar das sanções e do programa nuclear como parte das conversas com os EUA. As conversas técnicas na Suíça foram concluídas na terça-feira, 23, com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, relatando “muitos progressos positivos” e uma “base muito sólida para um acordo final bem-sucedido”.
A questão do programa balístico iraniano permanece um ponto de discórdia. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou na terça-feira, 23, que sem mísseis, seu país teria acabado “como a Faixa de Gaza”, e ressaltou que seu programa balístico não é negociável.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmou que o acordo preliminar assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã não menciona os mísseis balísticos. “Não pode haver dois pesos e duas medidas. Que alguns países possam ter mísseis balísticos e que o Irã não deva tê-los”, disse Sharif.
Tensão Regional Ampliada e Conflitos Adjacentes
A instabilidade não se limita apenas aos confrontos diretos entre EUA e Irã. A região do Líbano também registrou uma série de incidentes, indicando uma ampliação das tensões no Oriente Médio.
As Forças Armadas de Israel confirmaram um ataque aéreo realizado no sábado, 27, na região de Nabatieh, no sul do Líbano, contra “suspeitos de terrorismo que ameaçaram soldados das Forças de Defesa de Israel”. Esse foi o primeiro ataque do tipo desde que Washington anunciou um acordo entre Israel e o Líbano.
A agência de notícias estatal libanesa informou que um drone israelense atingiu a área de Nabatiyeh. Além disso, a Agência Nacional de Notícias do Líbano reportou que forças israelenses bombardearam as proximidades da cidade de Markaba, a 1,5 km da fronteira entre Israel e Líbano, durante a noite.
A Agência Fars ainda relatou que seis agricultores foram sequestrados por forças israelenses no sul do Líbano na sexta-feira, 26, em meio a violações do cessar-fogo, evidenciando a complexidade e a interconexão dos conflitos na região.