Com mais de 900 mortes confirmadas e a estimativa de 50 mil desaparecidos, o país aguarda reforço em operações de resgate.
A Venezuela enfrenta o terceiro dia de buscas intensas por sobreviventes, após os devastadores terremotos que atingiram o norte do país na última quarta-feira (24). A tragédia já contabiliza centenas de mortos e lançou a nação em um cenário de destruição e profundo desespero.
Milhares de pessoas ainda estão desaparecidas sob os escombros. A corrida contra o tempo é implacável, pois as primeiras 48 a 72 horas após um desastre são cruciais para o resgate com vida. A pressão sobre as equipes de salvamento cresce a cada hora.
O país aguarda ansiosamente por reforços na ajuda internacional para lidar com a magnitude da catástrofe, conforme informações divulgadas pelo G1.
A Catástrofe e o Balanço Atual
O governo venezuelano confirmou 920 mortes e 3.360 feridos até o momento. No entanto, o número real de vítimas pode ser significativamente maior, superando as estimativas iniciais.
O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas, evidenciando a dimensão trágica do terremoto na Venezuela.
Os sismos, considerados os mais fortes no país em mais de 100 anos, atingiram a região norte, incluindo a capital Caracas. Eles derrubaram edifícios e deixaram um rastro de destruição que choca a população e o mundo.
Desespero e a Resposta Governamental
Moradores das áreas mais atingidas, como La Guaira, relataram ter visto poucas equipes de resgate do Estado nos primeiros dias. Essa falta de ajuda inicial agravou o desespero das famílias.
Muitos se esforçavam para revirar os escombros em busca de seus entes queridos, enquanto a pressão para encontrar sobreviventes aumentava a cada hora.
Diante do caos e do trânsito que começavam a prejudicar as operações de resgate, as autoridades venezuelanas anunciaram o bloqueio de acesso a La Guaira na noite de sexta-feira.
Representantes do governo informaram que autorizações oficiais seriam necessárias para entrar na área, mas detalharam pouco sobre quem teria permissão, gerando incertezas.
A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, também declarou que seu governo vai militarizar as regiões mais afetadas, incluindo La Guaira, que está dentro da chamada ‘zona de desastre’ estipulada pelo governo.
Ajuda Internacional em Curso
Uma ampla operação de ajuda internacional está ganhando força, com dezenas de equipes de resgate de diversas partes do mundo chegando ou com chegada prevista para a Venezuela. A solidariedade global se manifesta diante da urgência.
O Brasil, por exemplo, enviou um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) na sexta-feira, levando ajuda humanitária e equipes de busca. Um hospital de campanha também deve ser transportado pelos militares brasileiros neste sábado, reforçando o apoio ao país vizinho.
Ainda na sexta-feira, um novo tremor de magnitude 4,9 foi sentido em Caracas. Embora consideravelmente mais fraco que os sismos iniciais, este abalo pode causar mais danos, já que as estruturas de muitas construções já se encontram fragilizadas pela tragédia.
A Natureza dos Sismos e o Alerta da ONU
Os terremotos que abalaram a Venezuela foram classificados como um ‘sismo gêmeo’, com dois tremores ocorrendo em um intervalo de menos de um minuto e com apenas 5 quilômetros de diferença entre seus epicentros. O tremor mais forte foi registrado na cidade de El Guayabo, a 168 km de Caracas.
A intensidade dos abalos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, combinada com a baixa profundidade, explica o vasto rastro de destruição. Quanto mais perto da superfície, maior o impacto sentido. As réplicas ocorreram em cidades costeiras, como a fortemente destruída La Guaira.
Esses tremores também ocorreram em áreas densamente povoadas, o que aumentou significativamente o número de vítimas e a complexidade dos resgates.
Um cálculo feito pelo Serviço Geológico dos EUA, com base nessas variáveis, estimou que o número de mortos pode ultrapassar 10 mil pessoas. Este é um alerta sombrio sobre a dimensão da catástrofe que assola a Venezuela.
O aeroporto internacional de Maiquetía, que serve Caracas, foi fechado, impactando a logística e o fluxo de pessoas e mercadorias.