Dia Estadual do Cacuriá celebra a força da cultura maranhense
O Maranhão celebra anualmente, em 27 de junho, o Dia Estadual do Cacuriá, uma data que reverencia a rica cultura popular do estado e, acima de tudo, o legado de Almerice da Silva Santos, a inesquecível Dona Teté. Considerada a maior referência do Cacuriá, Dona Teté é homenageada em seu aniversário, marcando a importância de sua contribuição artística.
Instituída pela lei 12.583/2025, a celebração visa valorizar, preservar e promover o Cacuriá como uma manifestação artística essencial para a identidade maranhense. A data incentiva uma série de atividades culturais, como apresentações, oficinas e debates, reforçando a importância histórica e social dessa dança popular.
A iniciativa busca garantir que as novas gerações conheçam e se engajem com o Cacuriá, mantendo viva a chama dessa tradição, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Origem e a Essência do Cacuriá
A história do Cacuriá remonta a 1973, quando surgiu em São Luís, pelas mãos do folclorista Alauriano Campos de Almeida, carinhosamente conhecido como Seu Lauro. Essa dança típica da cultura popular maranhense é marcada por sua sensualidade e toadas de duplo sentido, que cativam o público e os brincantes.
A inspiração para o Cacuriá veio do Carimbó das Caixeiras, uma manifestação vibrante que ocorre ao final da Festa do Divino Espírito Santo. Conhecida também como bambaê de caixa, essa dança acontece após a derrubada do mastro, simbolizando o encerramento das festividades com muito ritmo e movimento.
Dona Teté: De Integrante a Símbolo do Cacuriá
Dona Teté iniciou sua jornada no Cacuriá como integrante do grupo de Seu Lauro, destacando-se rapidamente por sua irreverência, versatilidade e um jeito marcante de dançar. Em 1980, seu talento a levou a ser convidada pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte) para integrar o elenco de uma peça teatral, tocando caixa e cantando.
Foi em 1986, com o incentivo de Nelson Brito, então coordenador do Laborarte, que Dona Teté criou seu próprio grupo, que se tornaria o famoso Cacuriá de Dona Teté. A jornalista e pesquisadora Inara Rodrigues, autora do livro "Vem cá curiar o cacuriá", explica a ascensão da artista.
“Dona Teté sempre foi muito irreverente e, em 1980, foi convidada a integrar o elenco de uma peça de teatro do Laborarte para tocar caixa e cantar. Em 1986, com o estímulo do já falecido Nelson Brito, que por muitos anos foi diretor do Laborarte, foi criado o Cacuriá de Dona Teté, que foi o segundo Cacuriá. Seu Lauro encerrou o grupo dele e Dona Teté, por ser aquela artista versátil e irreverente que sempre foi, ganhou todo aquele destaque. Por isso, muita gente atribui a criação do Cacuriá a ela”, ressaltou Inara.
Elementos que Encantam no Cacuriá
A coreografia do Cacuriá é um espetáculo à parte. Os dançarinos se organizam em pares, formando uma roda, conhecida como cordão, e executam passos marcados por muito rebolado, improvisação e uma constante interação com o público. Cada movimento é uma expressão da cultura, das crenças e dos costumes do povo maranhense, tornando a apresentação uma experiência vibrante e envolvente.
O ritmo do Cacuriá, considerado uma mistura de marcha, valsa e samba, é ditado pelas Caixas do Divino, instrumentos de percussão feitos geralmente com couro de boi. As caixeiras entoam toadas que abordam temas diversos, como a natureza, a religiosidade, brincadeiras tradicionais e os anseios da população, em uma dinâmica de pergunta e resposta que envolve a todos.
Além das caixas, a formação instrumental pode incluir banjo, violão, clarinete e flauta. As indumentárias também são um show de cores e detalhes: as mulheres vestem blusas curtas e saias longas, rodadas e coloridas, adornadas com flores nos cabelos. Já os homens usam coletes sem camisa por baixo, calças curtas ou blusas e calças bordadas, sempre em harmonia com as estampas e cores femininas, reforçando a identidade visual do grupo de Cacuriá.