Há mais de duas décadas, o deputado federal Julio Lopes construiu parte de sua trajetória política no enfrentamento ao crime organizado. Vice-presidente da histórica CPI da Pirataria, que desvendou esquemas bilionários de contrabando, falsificação e sonegação, o parlamentar afirma que já sofreu ameaças de morte, atentados e precisou viver sob escolta durante cerca de 60 dias em razão das investigações conduzidas pela comissão.
A atuação da CPI resultou em dezenas de pedidos de indiciamento e marcou o combate às grandes organizações criminosas no país.
Agora, anos depois, Julio Lopes afirma que voltou a sentir de perto o risco enfrentado por quem desafia o poder das facções.
Segundo o deputado, ele esteve em Curicica após receber denúncias de moradores sobre supostas cobranças ilegais impostas pelo Comando Vermelho a comerciantes e residentes da região. A visita teve como objetivo ouvir a população e verificar pessoalmente as informações recebidas.
Durante o deslocamento, o motorista que o acompanhava alertou diversas vezes sobre o perigo da área, conhecida pela forte presença da facção criminosa.
Pouco depois de deixar o local, a situação saiu do controle.
De acordo com Julio Lopes, integrantes do Comando Vermelho iniciaram uma tentativa de invasão da região, provocando um intenso confronto armado. Uma pessoa morreu exatamente nas proximidades do ponto onde o parlamentar havia estado minutos antes.
O deputado classificou o episódio como um sinal da gravidade da disputa territorial vivida pelo Rio de Janeiro e informou que solicitará à Polícia Federal reforço para sua segurança institucional, diante da natureza de sua atuação e das investigações relacionadas ao crime organizado.
Julio Lopes também voltou a defender uma atuação mais firme das autoridades federais. Segundo ele, processos e medidas que tratam do fortalecimento das ações de segurança precisam avançar para permitir que o Estado recupere territórios hoje dominados por facções criminosas.
Ao comentar o crescimento do mercado de veículos blindados, o parlamentar fez uma reflexão sobre o atual cenário da segurança pública.
“É importante que existam alternativas para proteger as pessoas. Mas o normal seria ninguém precisar andar de carro blindado. O nosso objetivo é fazer com que essa necessidade deixe de existir.”
A defesa do combate às organizações criminosas também está presente em sua atuação no Congresso Nacional. Neste ano, Julio Lopes passou a coordenar uma comissão externa destinada a ampliar o enfrentamento à pirataria, ao contrabando, à economia ilegal e às estruturas financeiras que sustentam facções criminosas, defendendo maior integração entre os estados, as forças policiais e órgãos de inteligência.