O cenário de segurança pública no Amazonas enfrenta um desafio sem precedentes. Entre 2017 e 2025, os registros de crimes cibernéticos no estado saltaram de 438 para 18.904, um crescimento de aproximadamente 43 vezes. O aumento, detalhado no Anuário de Segurança Pública, reflete uma mudança drástica na forma como criminosos operam, aproveitando a transformação digital e o acesso facilitado a novas tecnologias.
O impacto da Inteligência Artificial e Deepfakes
Um dos pontos mais alarmantes desse crescimento é o uso de deepfakes — conteúdos de vídeo, áudio ou imagem manipulados por inteligência artificial. O problema, que ganhou destaque nacional com denúncias de celebridades como Paolla Oliveira, também atinge figuras públicas e anônimos no Amazonas. Casos como o da influenciadora Ruivinha de Marte, que teve seu rosto utilizado em montagens falsas, evidenciam a gravidade do abuso. Especialistas alertam que o fenômeno não poupa ninguém, afetando desde jovens até adultos economicamente ativos.
Estelionato lidera ranking de ocorrências
O estelionato consolidou-se como o principal motor desse aumento exponencial. As ocorrências dispararam de 11 registros em 2017 para 6.925 em 2025. Além dos golpes financeiros, as ameaças por meios eletrônicos registraram um salto expressivo de 41,4% no último ano, enquanto a invasão de dispositivos informáticos mantém uma tendência de alta constante, embora com ritmo de crescimento mais estável.
Por que os números cresceram tanto?
Para o especialista em direito digital Aldo Evangelista, o aumento não se resume apenas a uma maior atividade criminosa. “Trata-se de uma combinação de fatores: uma sociedade cada vez mais conectada, criminosos especializados, maior conscientização das vítimas em denunciar e uma capacidade aprimorada das autoridades em classificar e investigar essas infrações”, explica. O especialista destaca que, embora adultos sejam visados pelo uso intenso de apps bancários e PIX, os jovens também são alvos frequentes em golpes de redes sociais e jogos eletrônicos.
Como se proteger e denunciar
A orientação dos especialistas é clara: a prevenção e a coleta de provas são fundamentais. Caso seja vítima de algum crime cibernético, o advogado Fernando Filho recomenda:
- Reúna provas: Tire prints, copie links e grave a tela das interações.
- Registre o BO: Utilize a Delegacia Virtual do Ministério da Justiça ou ligue para o 181, que funciona 24 horas.
- Ação bancária: Em caso de prejuízo financeiro, comunique o banco imediatamente e guarde todos os protocolos de atendimento.
- Remoção de conteúdo: Se sua imagem foi usada em deepfakes, solicite a remoção imediata nas plataformas e busque auxílio jurídico para medidas cabíveis.