Pesquisa Quaest revela que maioria dos brasileiros acredita que o país segue na direção errada sob gestão Lula

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5), traz um sinal de alerta para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o levantamento, 55% dos brasileiros acreditam que o Brasil caminha na direção errada, um aumento em relação aos 51% registrados no mês anterior. Enquanto isso, o otimismo recuou, passando de 39% para 38%.

Descompasso entre economia e percepção popular

O cenário de pessimismo contrasta com os indicadores macroeconômicos recentes. O país apresenta números favoráveis, como a queda da inflação e a taxa de desemprego em patamares historicamente baixos, próximos a 5,4%. No entanto, especialistas observam que essa melhora nos índices oficiais ainda não se traduziu em uma percepção de bem-estar na vida cotidiana das famílias.

Avaliação de programas sociais

Programas emblemáticos do governo enfrentam dificuldades de aceitação. O Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas, viu sua aprovação cair para 47%. Além disso, uma parcela significativa da população relata não ter sentido impactos positivos em sua renda pessoal através dessas iniciativas. O mesmo ocorre com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil: 46% dos entrevistados afirmam não ter percebido diferença no orçamento doméstico após a medida.

Análise do efeito marginal

Felipe Nunes, CEO da Quaest, pondera que os programas não deixaram de ser úteis, mas perderam o chamado “efeito marginal”. Segundo o analista, o ganho político que essas ações geravam no início do mandato tem se dissipado com o passar do tempo, dificultando a conversão de políticas públicas em capital político para o governo.

Estabilidade na avaliação do governo

Apesar da percepção negativa sobre a direção do país, a avaliação direta do presidente Lula permanece estável. O governo conta com 48% de aprovação e 47% de desaprovação, números idênticos aos do levantamento realizado em julho. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios, entre 31 de julho e 3 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais.