Gigante do frango investe R$ 120 milhões para transformar tilápia no novo ‘frango d’água’ do Brasil

A GTF, uma das líderes nacionais na produção de carne de frango e dona da marca Canção, anunciou um aporte estratégico de R$ 120 milhões para expandir sua atuação no setor de piscicultura. O investimento será concentrado em Terra Rica, no noroeste do Paraná, com o objetivo de construir uma das maiores fazendas de tilápia do país.

Projeto ambicioso mira liderança no mercado

O plano de expansão, que deve ser concluído nos próximos cinco anos, prevê um salto expressivo na produtividade: a meta é elevar a capacidade diária de 14 mil para 100 mil peixes. Para isso, a área de lâmina d’água, que atualmente opera entre 80 e 90 hectares, será ampliada para 200 hectares. A longo prazo, a companhia estuda, inclusive, a construção de um frigorífico exclusivo para o processamento do pescado, verticalizando toda a sua cadeia produtiva.

Aposta no conceito de ‘frango d’água’

Segundo Rafael Tortola, diretor executivo da GTF, a aposta na tilápia não é por acaso. O executivo define a espécie como o “frango d’água” devido à sua versatilidade, rápido crescimento e alta aceitação pelo consumidor brasileiro. “É uma proteína acessível, barata e que o público gosta”, afirma Tortola. A estratégia da empresa é diversificar sua atuação, que hoje depende 85% da avicultura, aumentando a participação do pescado, que atualmente representa 5% do faturamento.

Cenário de crescimento da tilapicultura

O investimento da GTF ocorre em um momento de franca expansão do setor. Dados do Anuário 2025 da Peixe BR revelam que o Brasil produziu 662,2 mil toneladas de tilápia em 2024, um crescimento de 132% em relação a 2015. O consumo per capita também dobrou na última década, saltando de 1,47 kg para 2,84 kg, impulsionado pela busca por opções de proteína mais saudáveis.

Desafios e relevância regional

Apesar do otimismo, o projeto avança em um cenário que exige cautela. O setor de tilapicultura enfrenta desafios regulatórios, discussões sobre espécies invasoras, variações de tarifas de exportação para os Estados Unidos e a alta nos custos de insumos. Mesmo com esses obstáculos, o Paraná reafirma sua posição como protagonista nacional, liderando a produção e consolidando sua infraestrutura para sustentar o crescimento contínuo da cadeia de pescados no país.