Por Ricardo Cantarelle…
Existe um tipo de coragem que não cabe em relatório de ocorrência. É a coragem que aparece quando a bala já passou perto, quando o colete já foi testado, quando o companheiro ao lado já caiu e mesmo assim o homem se levanta, olha para a câmera do próprio celular e ri. Foi isso, segundo relatos que circularam nas redes e que a TVC ainda apura diretamente com a fonte, que teria acontecido com Nei Machado o ” BATATA DA MADSEN”, atingido por um tiro na cabeça
de raspão em operação e, ainda em campo, gravando um vídeo recado para o crime organizado: ia só fazer o curativo. E voltar.
Batata não é um influenciador que comenta a violência do Rio de fora. Ele é um operador forjado no confronto direto, que carrega o apelido em homenagem à metralhadora Madsen símbolo de uma trajetória construída dentro do blindado, na tropa de choque das operações mais duras contra o narcotráfico.
O vídeo que não é ficção
O material que deve circular ao lado desta matéria mostra Batata e sua equipe em confronto real, trocando tiros com traficantes não é reconstituição, não é dramatização de podcast. É o retrato cru daquilo que normalmente fica só no boletim de ocorrência: o segundo antes da decisão, o barulho, a tropa avançando sob risco real. É a prova visual de um discurso que ele repete em toda entrevista que dá: quem fala da guerra urbana do Rio com autoridade é quem já esteve dentro dela.
De operador a comunicador
O que transformou Batata da Madsen em fenômeno não foi só a sobrevivência foi a decisão de contar, sem filtro institucional, o que a farda vive todos os dias.
O perfil @batatadamadsen soma hoje mais de 1,3 milhão de seguidores, segundo levantamento de plataforma de análise de influenciadores atualizado em julho de 2026. É audiência de quem quer entender o que está por trás do Caveirão, da operação, da tensão de quem entra numa comunidade sem saber se volta.
Essa autoridade de quem viveu levou Batata a virar presença constante em podcasts que discutem segurança pública participações no Fala Glauber Podcast, no Storicast e no Irmãos Dias Podcast, sempre com o mesmo eixo: a distância entre quem formula política de segurança em gabinete e quem a executa na rua, fuzil na mão, decisão em segundos.
A Távola Redonda da TVC: passado e presente se encontram
Foi esse conjunto operador, sobrevivente, comunicador que levou a TVC a convidar Batata da Madsen para sentar à Távola Redonda, o programa que reencontra a memória viva da segurança pública fluminense. Este jornalista viveu, décadas atrás, um Rio de Janeiro que também teve seus nomes lendários na linha de frente como Ivan Lopes de Carvalho, o Sargento Lopes, cujo trabalho à frente do programa de rádio Comunidades em Ação ajudou a mudar a relação entre polícia e comunidade em Maricá, e cuja coragem lhe rendeu, das próprias comunidades, o apelido de Capitão do Mato.
Foi esse mesmo movimento que colocou à frente de uma geração um jovem então liderando o grupo hoje prefeito de Maricá.
Décadas depois, é outra geração de guerreiro que senta à mesa: Batata topou o convite na hora. E o programa promete ser exatamente isso o encontro de duas épocas da linha de frente, unidas por uma frase que ele repete em toda participação pública:
“Podemos, sim. Iremos vencer essa guerra porque o mal nunca vencerá o bem. Estamos grandão!”
Por que essa entrevista importa
Não é bairrismo, é fato jornalístico: quando um grupo como o Comunidades em Ação foi capaz de virar a chave em Maricá décadas atrás, a pergunta que fica é inevitável o que impede que a mesma disposição de servir e resistir, hoje encarnada em Batata da Madsen, aponte um caminho parecido para o resto do Rio?
É essa pergunta que a TVC leva ao ar.