O “imposto invisível”: Júlio Lopes cobra ação sobre os R$ 31 bilhões que o crime organizado retira do bolso do fluminense

Por Ricardo Cantarelle

Ninguém recebe o boleto. Ninguém vê o desconto na fatura. Mas todo morador do Rio de Janeiro paga, todos os meses, uma cobrança que não tem nota fiscal nem CNPJ: é o preço embutido da presença do crime organizado na economia do estado.

Em vídeo recente publicado em suas redes, o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ) batizou essa sangria de “imposto invisível” e apresentou um número que resume o tamanho do problema: R$ 31 bilhões por ano.

A cifra não é retórica de palanque. Ela reproduz um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que estimou nesse patamar o prejuízo anual causado ao estado pela economia paralela ligada a facções e milícias somando o efeito do roubo de cargas, do contrabando, da extorsão a comerciantes e da fuga de investimentos em áreas sob domínio criminoso. Segundo a entidade, o resultado prático é menos empresa formal, menos emprego, menos arrecadação e, portanto, menos dinheiro para saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Onde o cidadão sente no bolso

No vídeo, Lopes desce do dado macroeconômico para o cotidiano de quem mora nas comunidades da Região Metropolitana e da Baixada Fluminense. Ele cita três frentes em que essa cobrança paralela chega direto ao consumidor: o preço do pão, inflado pela “taxa” que padarias em território dominado pagam para operar; o botijão de gás, cujo valor pode saltar dos cerca de R$ 90 praticados no mercado formal para R$ 130 ou R$ 140 nessas áreas; e o transporte, em que vans e kombis clandestinas ou até linhas regulares repassam ao passageiro o custo de “proteção” cobrado por grupos armados.

Não é a primeira vez que o deputado associa o avanço de facções e milícias ao encarecimento de produtos básicos. Em entrevistas recentes à imprensa de Brasília, Lopes vem chamando atenção para a infiltração do crime organizado em setores formais da economia do combustível ao gás de cozinha, argumentando que o problema deixou de ser só de segurança pública para se tornar também uma distorção de mercado que penaliza quem paga imposto e joga limpo.

O caixa como alvo

A tese central defendida por Lopes é direta: “o crime se mata e se acaba pelo caixa”. Na prática, isso significa deslocar parte do combate do confronto armado para o rastreamento financeiro seguir o dinheiro até a fonte e sufocar a capacidade de arrecadação das organizações criminosas.

Essa não é uma bandeira nova para o parlamentar. Como presidente da Frente Parlamentar Mista de Combate à Pirataria, Lopes tem defendido a inclusão da Receita Federal entre os órgãos com atuação direta no enfrentamento ao crime organizado, sob o argumento de que seguir o rastro fiscal das facções inclusive por meio de empresas de fachada em setores como combustíveis e fintechs é tão importante quanto a ação policial nas ruas.

Ele também é um dos autores do PL 2.646/2025, apresentado ao lado de outros 16 deputados para endurecer o cerco à presença do crime organizado na economia formal, e integrou a comissão externa que aprovou recentemente um relatório propondo a criação de uma Agência Antimáfia uma autoridade nacional dedicada ao enfrentamento das organizações criminosas, com penas mais duras para lideranças, bloqueio automático de bens e monitoramento após o cumprimento de pena.

O contexto recente reforça o argumento. A Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, identificou uma movimentação de pelo menos R$ 52 bilhões pelo crime organizado entre 2020 e 2024, com infiltração em empresas de diferentes setores um retrato que, segundo o deputado, ainda deve se aprofundar à medida que as investigações avançam.

Uma convocação ao bairro

O vídeo termina com um convite explícito à participação: Lopes pede que o eleitor escreva nos comentários o nome do seu bairro e relate como sente essa cobrança paralela na rotina seja na feira, no botijão ou na tarifa do transporte. É uma tentativa de transformar um dado técnico, de estudo econômico, em relato de rua, coletando em tempo real a versão do morador sobre um problema que, segundo a Firjan, atinge o estado inteiro, e não só as áreas sob domínio direto de facções ou milícias.

Federal deputado há cinco mandatos e um dos nomes mais atuantes da bancada fluminense em pautas de segurança pública e combate ao crime organizado, Júlio Lopes chega ao período eleitoral de 2026 primeiro turno marcado para 4 de outubro buscando a reeleição pela legenda do PP, sob o número 1111, com essa pauta como um dos eixos centrais de sua atuação.

Este conteúdo integra a parceria de divulgação de mandato entre a TVC e o gabinete do deputado federal Júlio Lopes e não se confunde com a cobertura jornalística independente do Portal.