Jalser Renier é preso pela PF em operação contra lavagem de dinheiro e suspeita de compra de votos em Roraima

O candidato a deputado estadual Jalser Renier foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (24), em Boa Vista. A detenção ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Filargíria, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro.

Desdobramentos da Operação Filargíria

Durante as buscas, os agentes da PF encontraram R$ 19 mil em espécie e planilhas de campanha contendo anotações com a sigla “BU”, o que levantou suspeitas imediatas de prática de compra de votos. A operação é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2025, após a apreensão de R$ 305 mil com um suspeito, revelando indícios de movimentação de recursos públicos por meio de contas de passagem.

Mudança na tipificação penal

Inicialmente, o delegado responsável pelo caso arbitrou uma fiança de 100 salários mínimos, valor considerado “absurdo” pela defesa de Renier. No entanto, após questionamentos dos advogados, a autoridade policial revogou a fiança e enquadrou o candidato no crime de associação criminosa, que é inafiançável. Com a mudança, Jalser permanece detido e aguarda a audiência de custódia.

Defesa contesta a ação policial

O advogado Carlos Vilareal, que representa o candidato, afirmou que os documentos apreendidos referem-se apenas a pagamentos de cabos eleitorais e voluntários. A defesa classificou a prisão como um “erro” e declarou que espera a correção da decisão pela Justiça Eleitoral durante o plantão judiciário. Enquanto isso, apoiadores do político se reuniram em frente à sede da PF em manifestação.

Histórico de controvérsias

Jalser Renier possui um histórico político marcado por episódios judiciais. Em 2021, ele chegou a ser preso por suspeita de ser o mandante do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos. O episódio culminou na cassação de seu mandato pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022. Embora estivesse inelegível até 2030, uma liminar concedida pelo ministro Nunes Marques, do STF, permitiu que ele concorresse nas eleições deste ano.